Excesso de produção gera crise na suinocultura
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de maio de 2002
Vânia CasadoEquipe da Folha 
Curitiba O excesso de otimismo que contaminou agroindústrias e produtores de suínos no final do ano passado está gerando uma crise de oferta de carne de porco e embutidos. Por causa da possibilidade de crescimento dos mercados externos e interno, agroindústrias erraram a dose e planejaram uma ampliação de suas estruturas acima da capacidade do mercado. Com isso, as agroindústrias estão tendo elevados custos para manter a armazenagem dos estoques.
Só uma grande indústria no Paraná, que nessa época do ano deveria ter 2 mil toneladas de carne em estoque, tem 8 mil toneladas estocadas e não tem mercado para desovar, disse Gustavo Fanaya, assessor do Sindicato da Indústria da Carne no Paraná (Sindicarnes). As indústrias atribuem a crise ao desempenho das exportações que não é satisfatório, e à queda de demanda no mercado interno.
As exportações ainda estão em alta. Este ano o País deve ser exportadas 200 mil toneladas de carne suína, contra 160 mil toneladas exportadas no ano passado. Ocorre que o preço da carne suína no mercado externo caiu cerca de 14,3%, segundo cálculo do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral). Além da queda no preço, a valorização cambial também prejudicou o desempenho das exportações. No segundo semestre do ano passado, o câmbio estava cotado a R$ 2,70 e esse ano caiu para R$ 2,30, o que reduziu a receita dos exportadores.
Com isso caiu também o preço pago aos produtores, instalando-se novamente uma crise. O preço médio do suíno vivo caiu para R$ 1,02 o quilo, uma queda de 3,8% só no mês de maio. Ao mesmo tempo o preço do milho, principal insumo da atividade, explodiu e o produtor não está conseguindo compatibilizar o custo de produção com o preço de venda do animal. Os produtores independentes é que mais sofrem com a crise. Tem indústria oferecendo até R$ 0,75/kg no Oeste do Paraná aos produtores, enquando os produtores integrados recebem R$ 1,20/kg e se queixam que esse valor não paga o custo de produção.
Para minimizar a crise os produtores do Paraná iniciaram um ciclo de contenção da produção com a não reposição das matrizes, disse o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores, Romeu Carlos Royer. Só que o impacto dessa medida só terá efeito a médio prazo. No curto prazo, os produtores querem que os mercados varejistas promovam uma campanha de queda nos preços para estimular o consumo, como forma de atingir o equilíbrio do mercado rapidamente.


