Excesso de peso nas rodovias do Paraná
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quarta-feira, 17 de abril de 2002
Vânia Casado Equipe da Folha 
Curitiba - Neste período de transporte da safra agrícola, cresce o número de caminhões com excesso de peso. Carretas chegam carregar até 50 toneladas, quase o dobro do permitido por lei (27 t por carreta com três eixos). Cada eixo com 10 toneladas representa o desgaste de 160 mil automóveis passando sobre o pavimento.
O problema preocupa empresas de transporte e caminhoneiros autônomos. De acordo com os sindicatos dessas categorias, motoristas vêm sendo multados indevidamente quando a origem do problema está nas empresas embarcadoras de mercadorias. Para o empresário Rui Cichella, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Setcepar), falta fiscalização nas empresas embarcadoras.
Da forma como está, as empresas que embarcam as mercadorias se isentam do problema e ele fica reduzido ao confronto motorista-policial na beira de estrada, destacou. Diante disso, não é muito difícil deduzir o que ocorre, sugeriu.
Segundo Chicella, o problema do excesso de peso no transporte de mercadorias prejudica as empresas e caminhoneiros porque reduz a oferta de mercadorias disponíveis para transporte, o que provoca a redução no preço do frete. Os motoristas e transportadoras que se submetem a levar carga com excesso de peso devem se conscientizar que estão contribuindo para a derrubada do preço do frete no mercado, salientou.
Chicella lembrou que além do problema econômico, há a questão da segurança dos motoristas e dos usuários das estradas, diante dos riscos de acidentes. A mesma opinião tem o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam), Diumar Bueno. Ele admite que alguns caminhoneiros concordam em levar excesso de peso em seus veículos para alcançarem maior lucro. Mas lembrou que essa é uma estratégia equivocada, porque o custo com manutenção do caminhão aumenta e o preço do frete cai muito, obrigando o motorista a fazer mais viagens para compensar financeiramento todo o esforço.
Diumar criticou a atuação do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), que não se esforça para regulamentar o Código Nacional de Trânsito, que prevê a multa por excesso de peso dos caminhões para a empresa ou motorista responsável pelo caminhão e também para a empresa embarcadora de mercadorias.
Dos 16.775 caminhões pesados no mês de março, pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), 714 veículos apresentaram excesso de peso, que corresponde a 4,26% dos veículos fiscalizados. Esse movimento corresponde à fiscalização feita pela balança fixa, no município de Lindoeste. Nas duas balanças móveis que o DER mantém nas estradas estaduais, foram pesados 230 mil caminhões, dos qais 4.000 apresentaram excesso de peso, que corresponde a 1,7% dos veículos fiscalizados.


