Excesso de oferta deve prejudicar Brasil em 99/00
Os produtores de soja brasileiros deverão enfrentar dificuldades para implantar suas lavouras na safra 99/00 caso não aconteça um reequilíbrio da oferta mundial do produto. A afirmação foi feita pelo especialista do mercado de soja da Safras & Mercados , Flávio Roberto de França Júnior, que apresentou seminário Evolução da Soja no Brasil ontem a noite em Londrina.
Segundo França, a previsão de que os Estados Unidos aumente sua área destinada ao plantio de soja entre 1% e 3%, o que representa um acréscimo entre 500 mil hectares e 1,5 milhão ha, a partir de maio, aponta para um quadro mundial de super-oferta do grão, que pode dificultar a situação dos produtores brasileiros na próxima safra. A produção estimada dos Estados Unidos é de 80 milhões de toneladas de soja. Ficaremos a mercê de um só fator para que possa haver um reequilíbrio no quadro de oferta, que é o clima. Mas é muito temerário contar com isso, comentou.
O especialista disse que mesmo com os preços do grão em baixa no mercado internacional, os produtores americanos vão aumentar o plantio do grão. Segundo ele, o governo americano deve aplicar este ano o programa de preço mínimo, que garante ao produtor US$ 5,26/bushel. Ontem, a soja fechou cotada a US$ 4,77/bushel em Chicago. Segundo o especialista, caso não haja problemas climáticos, os produtores do Brasil e Argentina podem reduzir o plantio por causa dos baixos preços do produto em dólar, e aumento do custo de produção com a importação de insumos.
Para o especialista, os produtores brasileiros que estão colhendo soja devem ficar atentos em dois pontos: comportamento do mercado externo/interno e as taxas de câmbio. Segundo ele, a desvalorização do real criou uma euforia nos sojicultores, que tiveram seus preços em real aumentados, mas se esqueceram de ver que o grão recuou em dólar no mercado internacional. França disse que no ano passado, neste mesmo período, o grão era cotado entre U$ 12,50 e R$ 13,00/saca, e agora o produto fica entre U$ 8,00 e U$ 8,50.
França disse que os produtores devem aproveitar este momento que o dólar ainda não encontrou seu ponto de equilíbrio e e vender parte da colheita para fazer caixa e saldar seus compromissos. O produtor deve segurar a outra parte da colheita para vender no segundo semestre, com mais calma, procurando aproveitar os repiques que o mercado internacional possa vir a dar, aconselhou. Ele acredita que durante a entressafra brasileira, as cotações do grão possam registrar altas entre US$ 1,00 e US$ 2,00/saca.César AugustoFator determinanteFlávio França Júnior diz que só problema com clima nos Estados Unidos pode melhorar mercado internacionalGuto Rocha





