Excesso de chuvas destrói pontes em Londrina
Célia Baroni
Mário CésarPor água abaixoAgricultor observa ponte danificada na quarta-feira, no distrito de GuairacáA Prefeitura vai trabalhar durante todo este final de semana em esquema de mutirão para reparar os estragos que as chuvas vêm provocando nas estradas rurais de Londrina. Equipes da Secretaria de Obras já começaram a trabalhar. Vamos fazer todo o possível para minimizar o impacto das chuvas e atender os produtores. Mas, mesmo colocando toda a capacidade de trabalho da secretaria na recuperação das estradas, os produtores vão precisar ter um pouco de paciência, disse ontem o diretor técnico do Serviços de Pavimentação de Londrina (Pavilon), Sadao Utyama.
Muitos produtores de Londrina, principalmente na região sul, estão ilhados em suas propriedades, correndo o risco de não poder escoar, na próxima semana, a soja precoce que já está em fase de colheita.
Somente em Londrina, as últimas chuvas destruíram quatro pontes: três no patrimônio do Guairacá, distrito de Paiquerê (uma na estrada Porto Real e duas na estrada de Barra Funda). A ponte Água Barra Funda, na estrada dos Nogueiras, em Lerroville, também caiu.
Além das pontes de madeira, cerca de 18 aterros - feitos sobre bueiros que dão vazão a ribeirões que cortam as estradas rurais - ficaram parcial ou totalmente destruídos.
O deslizamento dos aterros comeu parte das estradas rurais, impossibilitando a passagem de veículos. O tamanho dos estragos e a informação de que a Prefeitura está com o equipamento sucateado deixaram os produtores ainda mais preocupados. O diretor do Sindicato Rural de Londrina, Edson Ponti, informou ontem que a entidade não pára de receber telefonemas de produtores preocupados com a situação. Sem estas pontes e com as estradas impedidas, os produtores não têm como chegar com as colheitadeiras e não podem escoar a produção, afirma Ponti.
O dirigente sindical diz que uma solução de emergência poderia ser uma parceria com o Departamento de Estadual de Estradas de Rodagem (DER). O DER está estudando a possibilidade de emprestar equipamentos à Prefeitura para agilizar as obras. O sindicato também vai estar empenhado em buscar soluções emergenciais. Hoje, 35 sindicatos da região se reúnem em Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina) para discutir o assunto e propor alternativas para o problema que se repete a cada ano.
A maior preocupação dos produtores é com a safra de soja. Ponti esclarece que depois que as chuvas pararem o produtor vai ter três dias para colher e carregar a soja. O milho é mais resistente. Mas, se o produtor não puder escoar a soja, vai aumentar seu prejuízo que, neste ano, por causa da seca, já foi grande, diz. A previsão é de que sejam colhidas, só no município de Londrina, 57 mil toneladas de soja.
O diretor de viação da Secretaria de Obras, Fernando Farah, tranquiliza os agricultores. Ele informou ontem que a Prefeitura mandou as máquinas para serem consertadas em oficinas particulares e muitas já estão trabalhando. Anunciou ainda que o prefeito Antônio Belinati (PDT) já pediu abertura de licitação para a compra de novas máquinas para renovar a frota.
Segundo a Secretaria de Obras, a Prefeitura deu início também à substituição das pontes de madeira por pontes de concreto, mais resistentes à força das águas. Mas a substituição é um trabalho para médio e longo prazos, ressalta o diretor técnico do Pavilon, Sadao Utyama.





