Está sobrando leite na região de Curitiba em função da queda no consumo do mercado interno e das importações excessivas de leite e derivados do Mercosul e da Europa. Para o presidente da Cooperativa de Laticínios (Clac) e presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios, Wilson Thiensen, até o consumo de iogurte que enfrentou um período de euforia quando foi considerado uma das grandes estrelas do Real, junto com o frango, entrou em decadência.
O assunto foi discutido ontem em almoço promovido pela Federação do Comércio com a participação de presidentes da Associação Comercial, da Federação da Agricultura, da Ocepar, da Federação das Indústrias, da Associação dos Supermercados para encontrar soluções e encaminhar um pedido ao governador Jaime Lerner de apoio ao setor.
Thiensen avalia que a queda no consumo de leite e derivados mais nobres é de um terço do consumo comparado com a fase mais otimista do Real, e essa tendência vem se acentuando com a elevação do endividamento da classe média e da inadimplência que está levando ao corte no consumo de alimentos, acrescentou. Essa tese foi reforçada pelo vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados, Roberto Demeterco. Ele confirmou o corte no consumo de alimentos em consequência da facilidade das compras à prazo e por isso as pessoas estariam com o orçamento apertado.
O problema é que a queda nas vendas está gerando um processo de autofagia no setor de leite, identificou Thiensen. Segundo ele, somente no ano passado foram importadas 300 mil toneladas de leite em pó da Europa, que além de tudo é subsidiado na origem, e esse volume tira mercado dos produtores nacionais, lamentou. Outro problema sério que está contribuindo para o excesso de leite no Paraná é o aumento de produção em outros Estados, que não tem mercado suficiente para colocar seus produtos e vêm desovar esses estoques aqui no Paraná, denunciou.
Para se ter uma idéia a produção de leite em Goiás aumentou 31% e no Paraná, 10% para atender as expectativas de aumento de consumo durante a primeira fase do Real. O aumento de produção é resultante dos investimentos que estão sendo feitos pelo setor produtivo.
Thiensen reconhece que a queda no consumo é conjuntural, mas alertou o setor do comércio que a autofagia pode desestruturar o setor produtivo e as consequências futuras podem ser sombrias. Para ele preocupa a entrada exagerada de leite do Uruguai e da Argentina, a preços subsidiados. Isso porque o advento do leite longa vida permite o transporte a longas distâncias.
Segundo Thiensen o leite longa vida é vendido por US$ 1 no Uruguai e aqui está sendo vendido por US$ 0,60 o litro, comparou.

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