O Paraná vai colher uma supersafra de cana este ano mas já acumula um estoque de 100 milhões de litros de álcool. No país o excedente se eleva para 1,8 bilhão de litros que está sem mercado. Os usineiros culpam o governo pela indefinição do Proálcool. Para o diretor executivo da Alcoopar, Paulo Zanetti, o empresário acreditou no governo, investiu em tecnologia, aumentou a produção e agora não tem retorno.
As 28 usinas existentes no Paraná se preparam para produzir 1,3 bilhão de litros de álcool. Este ano serão colhidas entre 26 milhões e 27 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, sendo que 70% desse total é destinado a produção de álcool. Segundo Zanetti a produção da safra 98 será 10% maior do que a safra do ano passado quando foram colhidas 24,5 milhões de toneladas de cana.
A esperança é a convocação extraordinária do Congresso quando deverá ser avaliada a emenda constitucional que cria o projeto de de lei da frota verde, obrigando o uso de carros a álcool na frota oficial. A decisão deverá sair em fevereiro ou março e os usineiros apostam suas fichas no Senado, já que a emenda não passou na Câmara. Outra emenda que está sendo avaliada pelo Congresso é o projeto de lei que permite a cobrança do imposto verde sobre a gasolina.
Zanetti está confiante na aprovação dessas medidas para reativação do Proálcool. A partir do momento que o governo incentiva o uso de carros a álcool as montadoras vão passar a produzir e o mercado estará restabelecido, resumiu. Se elas não forem aprovadas, o Paraná poderá viver novamente uma situação de desemprego no meio rural semelhante à que ocorreu com o algodão. Pelo menos 20% da mão-de-obra rural no Estado, que corresponde a 300.000 pessoas dependem diretamente das lavouras de cana-de-açúcar.
O Deral acredita que pelo menos 7.000 pessoas (10% dos trabalhadores nas lavouras e no processo de industrialização da cana-de-açúcar) estão ameaçadas de demissão, caso o Proálcool não seja reativado. Zanetti não concorda com esse cálculo, salientando que na verdade todas os 74.000 postos de trabalho criados no Estado e 1,5 milhão de postos no país podem estar ameaçados caso o governo federal ou o Congresso são sejam sensíveis à necessidade de criar o mercado para o álcool.
Zanetti lamenta que o setor alcooleiro esteja passando por essa situação de indefinição no momento que se prepara para colher mais uma supersafra, resultante de investimentos em tecnologia de produção. Ele ressaltou que tanto o empresário como o clima estão contribuindo para o bom desempenho da safra. Só falta agora o governo.

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