Excedente de álcool é de 2 bi de litros
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terça-feira, 02 de dezembro de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
ArquivoEm excessoUso de outros combustíveis derrubou o consumo de álcool: usinas estão preocupadas Os produtores de álcool e açúcar do Paraná estão preocupados com o excedente de 2 bilhões de litros de álcool acumulados até o final do ano. No total são 1,53 bilhões de litros do combustível hidratado e 470 milhões de litros de álcool anidro, que é utilizado na mistura com a gasolina.
Segundo o presidente da Alcopar, Ermeto Barea, o excedente foi causado pelo incentivo do uso de outros combustíveis, misturas abaixo da prevista na legislação e a importação de 600 milhões de litros. Outro problema é a acentuada redução consumo, ocasionada pela queda na produção de veículos movidos a álcool.
A entidade está agora reivindicando uma série de medidas ao governo para eliminar ou reduzir o excedente. Uma das propostas da Alcopar é autorizar a mistura do álcool ao diesel, o que reduziria o nível de emissão de poluentes. O setor quer também o aumento da adição do álcool à gasolina, que hoje é de 22% e a substituição do MTBE, permitido no Rio Grande do Sul, pelo álcool. Outra medida defendida pelo setor é a criação do chamado tributo verde, com recursos obtidos pelo consumo dos combustíveis poluentes.
O setor sucroalcooleiro, explica Barea, está investindo US$ 1,5 milhão em pesquisas para medir o índice possível de mistura do álcool ao diesel. O trabalho é desenvolvido no Paraná, São Paulo e Minas Gerais, e os dados serão posteriormente repassados ao governo, que terá embasamento para adotar a medida.
Preço da cana No interior de São Paulo, conforme informa a Agência Estado, alguns produtores de cana-de-açúcar estão deixando de colher porque consideram os preços muito baixos, não cobrindo os custos da mão-de-obra. Esta é a primeira vez que isto acontece em toda a histórica da cultura de cana no Estado de São Paulo. Apesar da expectativa de um aumento de 8% na produção de cana-de-açúcar, conforme estimativas oficiais, muitos produtores estão deixando as plantações no campo, sem colher. Há casos de 100 mil toneladas de cana de um único produtor que não serão colhidas.
Não está valendo a pena colher, explica o diretor superintendente da Associação das Destilarias Autônomas e Anexas (Ada), José Norival Galli. Segundo ele, trata-se de um reflexo da crise que vive o setor sucroalcooleiro, por causa da falta de incentivos na produção e comercialização de carros a álcool.
Galli lembra que o recente aumento nos preços dos combustíveis, inclusive do álcool hidratado, não foi repassado aos produtores. Outro problema apontado por ele é a extinção do Fundo de Unificação dos Preços do Álcool (Fupa), repassado aos produtores como amparo no mercado e cancelado no acordo do ICMS entre os governos estadual e federal. Os recursos, avaliados em R$ 552 milhões, agora vão para os cofres da União.


