Curitiba - Os resultados obtidos até agora dos exames de sorologia realizados em amostras coletadas de animais das fazendas consideradas foco de febre aftosa e de propriedades vizinhas mostram que o Paraná não teve nenhum caso de febre aftosa nos últimos tempos.
Os resultados de exames de sorologia de 99% das amostras coletadas de bovinos e ovinos da área de risco para febre aftosa, que abrange um raio de 10 quilômetros ao redor das sete fazendas que foram consideradas foco da doença, deram negativo. A partir dos resultados obtidos, a expectativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) é que em seis meses o Paraná possa restituir a condição de Zona Livre de Aftosa perante a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE).
Os pecuaristas, no entanto, ainda têm que aguardar os resultados de 95 amostras restantes para que o trânsito de animais na região seja liberado. O presidente da recém-criada Associação dos Produtores Bovinos de Corte (APBC) e proprietário da Fazenda Cachoeira, André Carioba, adiantou, ontem, que os criadores só estão aguardando o resultado da necropsia de 21 animais, sacrificados nas sete fazendas, para entrar com ação na Justiça contra o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) pedindo indenização pelos prejuízos financeiros e danos morais.
Carioba não sabe estimar o prejuízo para as 885 propriedades atingidas pela notícia de existência de febre aftosa no Paraná. Só na fazenda Cachoeira, ele calcula que as perdas ultrapasem R$ 2 milhões. A ação judicical terá todo apoio do Governo do Estado, segundo o secretário, e da Sociedade Rural do Paraná, de acordo com o presidente da entidade, Alexandre Kireeff, que também participou, ontem, da apresentação dos resultados dos exames sorológicos.
De acordo com o secretário da Agricultura, Newton Pohl Ribas, diante deses resultados, a vacinação contra a febre aftosa está liberada nas propriedades cujas amostras coletadas deram resultado negativo e nas fazendas que não entraram na amostragem. As amostras foram coletadas em 585 das 885 propriedades existentes na região. Das 10.300 amostras coletadas, 10.205 já apresentaram resultado negativo. Apenas as propriedades cujos animais não tiveram os resultados das amostras divulgados ainda é que não podem ser vacinados por enquanto.
O Governo do Estado também está animado com os resultados dos exames de sorologia feitos nos animais sentinela. Tratam-se de bezerros, todos sem vacinação contra a febre aftosa que, segundo normas da OIE, têm que permanecer por 30 dias nas fazendas, com a realização de três exames sorológicos para febre aftosa. Somente se os três diagnósticos forem negativo é que as propriedades são liberadas para repovoamento animal.
Das sete propriedades, quatro realizaram os três exames, com resultado negativo em todos eles, sendo liberadas para o repovoamento. São as fazendas Cesumar e Pedra Preta, em Maringá; Fazenda do Café, em Bela Vista do Paraíso (40 km a norte de Londrina); e Santa Izabel, em Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana). A Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), segundo o secretário, deve ser liberada na próxima semana, quando será feito o terceiro exame dos animais. Já as fazendas São Paulo e Alto Alegre, ambas em Loanda (102 km a oeste de Paranavaí) passaram por apenas um teste de sorologia e só terão os resultados finais dentro de 30 dias.

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