A Natura, principal fabricante brasileira da área de cosméticos, ganhou ontem o título de empresa do ano do 25º prêmio de Melhores e Maiores, concedido pela Revista Exame. A empresa disputou a premiação com outras 21 companhias ganhadoras de prêmios setoriais, em mais de 500 balanços analisados pela revista. ‘‘Essa premiação é o coroamento de 29 anos de trabalho dedicados ao mercado brasileiro’’, comemorou o fundador e um dos três sócios-presidentes da Natura, Luiz Antonio Seabra.
Além de Seabra, a companhia tem Guilherme Peirão Leal, na presidência executiva, e Pedro Luiz Passos, como presidente de operações. Com essa trinca na direção, a Natura vem obtendo os principais resultados de sua história, principalmente nos últimos cinco anos. Nesse período, ela multiplicou sua vendas por cinco. No ano passado, a Natura obteve US$ 908 milhões de faturamento, crescendo 8,5% em relação a 96. ‘‘Estamos projetando vendas de US$ 1 bilhão para 98’’, conta Passos.
Para projetar esse aumento nas vendas, a empresa, com 3 mil funcionários e 205 mil consultoras, deverá contar com reforço de novos produtos em sua linhas masculina (que responde por 30% do faturamento), feminina (62%) e infantil (8%). Pelo menos US$ 54 milhões serão investidos em lançamento, pesquisa, promoção e propaganda. O total de investimento para este ano chegará a US$ 140 milhões, sendo que uma parte desse dinheiro está destinada à construção de sua nova unidade industrial de Cajamar (SP) - que absorverá uma verba de US$ 100 milhões.
Para se destacar das outras companhias que competiram no prêmio de Exame, a Natura obteve crescimento de 8,5% acima dos resultados obtidos em 96 e acima da média de 2% alcançada pelo setor no ano passado. O lucro líquido somou US$ 17,1 milhões.
Na análise do setor feita pela revista, a empresa esteve sempre entre as quatro primeiras posições: liderança de mercado, rentabilidade, crescimento, liquidez corrente, investimento no imobilizado e valor adicionado por empregado. Para destacar a empresa do ano, a revista considerou um novo indicador, o Demonstração de Valor Adicionado, que mostra o quanto a empresa contribuiu para o Produto Interno Bruto.
Disposta a enfrentar a concorrência, cada vez mais internacional dentro do mercado brasileiro, a Natura respeita a Avon, dona da primeira posição no ranking nacional, mas ainda não tem uma leitura completa de qual será sua estratégia de atuação, principalmente agora com a troca de comando. ‘‘Vamos ver o que irá acontecer’’, disse Leal.
Em disputa no mercado brasileiro, apenas do setor de cosméticos, há um movimento anual de consumo de US$ 5,8 bilhões. O Brasil, embora tenha o sexto maior mercado em vendas do mundo, ocupa a 27ª posição no consumo per capita. E é exatamente olhando esse potencial de consumo no futuro em que a Natura - e as multinacionais - aposta todas suas fichas. Por enquanto, sem precisar ser incorporada por alguma multinacional.

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