Ex-presidente do BNDES ataca política econômica
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sexta-feira, 30 de setembro de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O Brasil tem um potencial de crescimento razoável, mas tem também uma série de bloqueios que, além de travá-lo, ainda deixam o País na incômoda condição de registrar crescimento menor que o de outras nações em desenvolvimento. Para piorar, a taxa média de 2,3% registrada pelo governo brasileiro é inferior até aos 4,5% da América Latina, e ainda mais insignificante ante a previsão de 8,5% a 9% da vizinha Argentina.
Os números e a avaliação que se seguiu a eles foram expostos esta semana pelo ex-presidente do Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o economista Carlos Lessa. Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até a demissão da instituição que presidia, em 2004, Lessa agora se refere à política econômica nacional como a iniciativa que ''estagnou o País''. ''No século passado, detivemos a segunda taxa mundial em crescimento longo: foram cinco décadas crescendo a uma média de 7% ao ano. O cenário mundial mudou favoravelmente, mas aqui retrocedemos'', avaliou Lessa, citando como fonte de bloqueios à expansão a taxa de juros de 19,5% estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
''Atualmente, o Banco Central acha que 3% de inflação já é um risco, aí eleva os juros. Resultado: nossos juros são os mais altos do planeta, até duas vezes maior que os da Turquia (segundo colocado, com 7%) e 23 vezes superior aos dos países em desenvolvimento. Assim, é praticamente impossível se fazerem investimentos'', concluiu.
O economista conversou com a Folha em Cornélio Procópio, onde foi um dos conferencistas no 3º Encontro de ''Estudos Avançados para Líderes Públicos'', que terminou ontem. O evento contou com a participação de 580 prefeitos, secretários e vereadores de todo o Paraná, com organização do Sebrae em parceria com as secretarias estaduais de Desenvolvimento Urbano (Sedu)
e Planejamento e Coordenação Geral (SEPL).
Além das políticas de juros, Lessa repetiu os recentes discursos do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), a respeito do pagamento de títulos da dívida pública. Filiado ao PMDB, é ele também o responsável pelo plano econômico do partido para o candidato à Presidência, em 2006. ''O atual Governo gasta R$ 145 bilhões com esses títulos; ao passo que a Bolsa Família consome R$ 7 bilhões ao ano. Estamos reféns de uma política rentista que só interessa aos banqueiros'', acusou, citando em seguida um estudo recente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre o assunto abordado também pelo governador, na véspera, no jantar de abertura do evento. Pela pesquisa, comentou o economista, 80% dos juros do pagamento de dívida pública beneficiam aproximadamente 20 mil famílias.


