Ex-presidente do BC critica o governo
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sexta-feira, 14 de maio de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do PT vem se revelando incapaz de formular políticas setoriais para atrair investimentos em infra-estrutura e tem recorrido a fórmulas ultrapassadas e reestatizantes para justificar a participação do Estado na economia, afirmou ontem o economista Gustavo Loyola, que presidiu o Banco Central (BC) por duas vezes, de 1992 a 1993 e de 1995 a 1997. Segundo ele, este cenário não estimula o crescimento econômico.
Para Loyola, este é o lado ruim do governo Lula que completou 16 meses e que precisa reverter as crises de desgate da governabilidade que vem afetando seu governo. O ex-presidente do BC esteve em Curitiba a convite da Editora Abril que promoveu o lançamento da edição anual da revista Exame ''Melhores e Maiores'' de 2004.
Na palestra aos empresários, o economista disse que ainda acredita num crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e de 3% em 2005, um resultado que reflete a recuperação da economia desde que mantida a continuidade da política macroeconômica.
Por outro lado, se o presidente não resistir às pressões e aderir ao populismo, obrigando-o a mudar a política macroeconômica, certamente vai interromper a perspectiva de crescimento econômico. Para Loyola, essa hipótese é pouco provável diante da cobrança da mídia, do eleitorado e dos mercados, que inibem ações populistas.
Durante a palestra, Loyola listou os pontos positivos e negativos do governo Lula. Entre os pontos positivos, o economista citou a gestão macroeconômica e a condução da política fiscal no primeiro ano de governo, que afastou definitivamente os efeitos negativos das expectativas da época. ''O governo demonstrou maturidade ao perceber que não existem milagres para promover o crescimento econômico'', afirmou.
Entre os pontos negativos, citou as falhas do governo que não está conseguindo engajar o setor privado para implementar as obras de infra-estrutura. Loyola referiu-se à gestão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que está buscando idéias antigas para criar as condições para o investimento. De acordo com o economista, ao Estado cabe criar as condições ideais para atrair investimentos eficientes e os governantes precisam entender que o cenário econômico mudou e se modernizou.
Apesar dos pontos negativos, Loyola deu nota seis ao governo, mais ''pelo lado bom que trouxe para a economia brasileira'', justificou. Mas não deixou de criticar a incapacidade de formular políticas específicas e de gestão para atrair investimentos.


