O ex-soldado da Polícia Militar Nélson Oliveira dos Santos Cunha, 29, foi condenado ontem a 261 anos de prisão por ter participado da chacina da Candelária. Os sete jurados do 2º Tribunal do Júri do Rio consideraram Cunha culpado pelo assassinato de oito meninos de rua e pela tentativa de homicídio contra o ex-mendigo Wagner dos Santos.
Cunha foi inocentado da acusação de tentativa de homicídio contra cinco menores de rua. A chacina da Candelária ocorreu em 23 de julho de 1993. Oito menores foram mortos a tiros por homens que os atacaram de madrugada. Os crimes ocorreram perto da igreja da Candelária e do Museu de Arte Moderna, no centro.
O advogado de Cunha, Luiz Carlos da Silva Neto, anunciou que vai requerer um novo julgamento ao juiz do 2º Tribunal do Júri, José Geraldo Antônio. O segundo julgamento é um direito do réu quando a pena supera os 20 anos de prisão.
Além do novo julgamento, Silva Neto pedirá ao Tribunal de Justiça a desclassificação da condenação por tentativa de homicídio contra Santos. O advogado quer que a segunda instância considere o crime como lesão corporal culposa (sem intenção). A apelação de Silva Neto deverá ser apreciada por uma das câmaras criminais do TJ. No julgamento, Cunha confessou ter presenciado a chacina, mas disse que não teria matado ninguém.
O julgamento começou às 14h10 de anteontem e terminou às 9h30 de ontem. Para chegar ao veredicto, os jurados se reuniram durante quatro horas. Durante a madrugada, aconteceu um fato curioso. Ao apresentar a tese de defesa, o advogado do réu se exaltou, desferindo um soco contra a mesa, cujo tampo de vidro se espatifou.
Cunha foi condenado a 27 anos de prisão por cada um dos cinco homicídios praticados contra maiores de 14 anos. Como as outras três vítimas fatais tinham menos de 14 anos, a pena estipulada por cada um desses crimes foi de 36 anos. Pela tentativa de homicídio contra Wagner dos Santos, 24, o ex-soldado foi condenado a 18 anos de prisão.
Os promotores Maurício Assayag e José Pi¤eiro Filho não anunciaram se recorrerão contra a sentença e as cinco absolvições. O advogado de Cunha disse ter considerado o julgamento uma vitória para seu cliente. ‘‘Ele foi absolvido em cinco crimes. Quarenta por cento do processo foi decidido em favor dele’’, disse Silva Neto. Cunha foi o segundo envolvido na chacina a ser julgado. Em abril, o PM Marcos Vinícius Borges Emmanuel foi condenado a 309 anos de prisão. No segundo julgamento, dois meses depois, a pena caiu para 89 anos. O segundo julgamento de Cunha deverá ser em maio. Dia 9, serão julgados Marcelo Ferreira Cortes, Cláudio Luiz Andrade dos Santos e Jurandir Gomes de França.

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