Com 82 anos, o ex-ministro da Infraestrutura Ozires Silva deposita na juventude a esperança de que o Brasil será um país empreendedor no futuro. Para ele, que ocupou o cargo em 1990, há uma "onda de empreendedorismo" e é preciso aproveitá-la ao máximo. Ex-presidente da Embraer (anos 1970) e da Petrobras (anos 1980), Silva diz que, por onde passa, conversa com os jovens. "Estou muito animado", conta ele, que hoje é reitor da Unimonte, na Baixada Santista.
O ex-ministro cita a presença da juventude na formação do Endeavor Brasil, organização voltada ao fomento do empreendedorismo, além de vários núcleos de jovens empreendedores espalhados pelo País. "Recentemente fui ao ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) onde me formei engenheiro aeronáutico e fiquei surpreendido com o espírito empreendedor dos alunos", conta.
Tido como um dos maiores empreendedores brasileiros, ele esteve em Londrina na última terça-feira onde deu palestra durante o lançamento do livro "Inovação Sistêmica – Casos de Empreendedorismo e Inovação Sustentáveis", escrito por alunos da Isae/FGV.
Silva acredita que a onda empreendedora se deve a exemplos recentes como o do norte-americano Steve Jobs, fundador da Apple. "É o modelo de alguém que olhou para o futuro e imaginou um iPhone, um iPad, quando não achávamos que precisaríamos desses produtos", declara.
Para o engenheiro, o consumidor hoje está mais propenso à inovação, condição que favorece o empreendedorismo. "Antigamente, as pessoas tinham uma fidelidade de marca, uma confiança extrema em determinada marca. Isso mudou muito. Os consumidores estão abertos aos produtos diferentes", acredita.
Para ele, o inimigo do empreendedorismo no País é a legislação. "É preciso criar leis que facilitem o capital de risco para incentivar quem quer empreender e inovar", defende. Silva diz que a disposição para financiar projetos inovadores fez da Califórnia o estado mais rico dos Estados Unidos. "Steve Jobs dizia que, na Califórnia, bastava a pessoa ter uma ideia que o estado fazia o resto", declara.
Um dos responsáveis pelo projeto do avião Bandeirante, na Embraer, na década de 1970, ele diz que faltam exemplos de inovação como aquele no País. "Até hoje, muita gente me pergunta como podemos ter um avião brasileiro e não termos um automóvel brasileiro", ressalta.
Para o engenheiro, o governo federal intervem demais na economia e de forma equivocada. Em vez da desoneração do consumo, o Brasil deveria ter desonerado o investimento, o que seria muito mais eficiente para impulsionar a indústria nacional. O ex-ministro também critica a intervenção na Petrobras, que ele presidiu nos anos 1980. "A Petrobras não é governo. É uma empresa e tem de ser tratada como tal. Tem de ser competitiva, disputar mercado", afirma.

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