Ex-ministro vê futuro 'brilhante' para o Brasil
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
São Paulo - A renda média do brasileiro será de US$ 18 mil em 2020, o equivalente à atual de quem vive nos países ricos. Daqui a oito anos, a dívida pública do Brasil corresponderá a apenas 19% do Produto Interno Bruto (PIB) e, por causa disso, o País vai receber a nota AA das agências de classificação de risco. Essas foram algumas das projeções apresentadas pelo economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ex-ministro das Comunicações no governo FHC, durante palestra realizada ontem em São Paulo.
Falando a uma plateia de cerca de 400 concessionários de automóveis, durante o XXII Congresso da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o economista disse não ver obstáculos que possam inviabilizar um futuro ''brilhante'' ao País.
Para isso, disse ele, bastam alguns ajustes na economia. De acordo com Mendonça, não é possível manter o modelo econômico dos anos Lula baseado no consumo das famílias. ''Essa forma já está esgotada, agora é necessário também investir'', afirmou.
Elogiando o pacote de concessões de rodovias e ferrovias lançado pela presidente Dilma Rosseff na quarta-feira, ele afirmou que o governo já estaria providenciando os devidos ajustes na economia. ''O que me deixa muito otimista é que a presidente fez exatamente o que precisa fazer. Nós não podemos continuar só vivendo do consumo, temos de fazer muitos investimentos para continuarmos crescendo num ritmo de 4% ou 4,5%'', salientou.
O economista disse que a média do crescimento brasileiro desde 93 (no início do governo FHC do qual fez parte) está nesta faixa o que é ''muita coisa''. ''Sempre tem uns chatos para lembrar que a China cresce 7%, 8%. Mas para o nosso padrão está muito bom'', declarou.
O ex-ministro afirmou que o crescimento do País daqui para frente terá como estímulo o desempenho da economia das nações emergentes. ''Em 2018, o PIB dos emergentes vai se igualar ao dos ricos. Essa é a grande mudança que acontece no mundo'', apontou. As commodities brasileiras, segundo ele, terão papel fundamental neste processo de aumento da renda nos países emergentes.
Mendonça lembrou do tempo em que foi diretor do Banco Central durante a moratória brasileira. ''Tive de ir a Nova York comunicar a banqueiro que íamos dar o calote. Hoje, a dívida pública brasileira equivale a 33% do PIB. E, em 2020, será de 19% do PIB. O Brasil vai ser duplo A nas agências de risco. Me besliquem'', brincou.
Questionado sobre a tendência de o mercado indiano de automóveis ultrapassar o brasileiro nos próximos anos, o economista respondeu: ''Se existem duas coisas que eu detesto é que comparem o Brasil com a Índia ou com o México. A Índia é uma droga'', declarou. Ele ressaltou que o país asiático não é um concorrente à altura do Brasil devido a ''guerrilhas comunistas, aos problemas de castas e ao regime político complicado''. E afirmou que a agricultura indiana ainda conta com carros-de-boi puxando cana.
Sobre o México, ele lembrou que o País tem uma agricultura pouco importante e enfrenta ''sérios problemas com o narcotráfico''.
* O repórter viajou a São Paulo a convite da Fenabrave.


