Ex-ministro sugere uso de recursos próprios
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quinta-feira, 14 de maio de 2009
Eduardo Magossi<br> Agência Estado 
São Paulo - Os agricultores devem aumentar o uso de recursos próprios e evitar a contratação de novos financiamentos para o custeio da próxima safra. Esta é a opinião do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que participou ontem de seminário sobre os impactos da crise financeira, realizado no Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo.
Rodrigues, que é presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), disse que o cenário para agricultura ainda é bipolar e por isso o agricultor precisa ter cautela na hora de tomar suas decisões. Segundo ele, se a atual alta das commodities for realmente um bolha, os produtores tem que estar preparados para quando ela estourar. Quando menos alavancados estiverem, melhor, disse.
Ele lembrou que a atual safra foi plantada a um custo maior em virtude de insumos mais caros e crédito mais caro. Porém, se os produtores se organizarem, eles podem transformar este momento de crise em oportunidade, já que o produto brasileiro vai ser disputado no exterior, disse.
Ele citou o exemplo do setor sucroalcooleiro, que está apresentando uma recuperação nas margens por conta da elevação dos preços do açúcar. Apesar do cenário positivo, só estão aproveitando esta alta as usinas que não estavam alavancadas. A crise apenas expôs as empresas que já estavam em dificuldades, disse. Segundo Rodrigues, o mesmo pode acontecer com a agricultura e quem estiver menos endividado tem mais chances de sobreviver.
O ex-ministro disse que o cenário brasileiro é muito mais positivo que o apresentado pelos países desenvolvidos. Apesar da queda de preço registrado em várias commodities, a valorização do dólar fez com estas perdas fossem anuladas. O câmbio tem ajudado neste momento o mercado de grãos, carnes e açúcar. Apenas o café apresenta um quadro mais preocupante, explica.
Rodrigues tem um otimismo moderado em relação à agricultura brasileira. Existem sinais de que as tradings estão aumentando a disponibilidade de crédito para o agricultor e o Banco do Brasil também deverá ter recursos extras, disse.


