‘Ex-jóia da coroa’
será preparada
para briga no
front externo
Agência Estado - A Vale foi privatizada há 60 dias. De lá para cá, o que mudou na empresa?
Steinbruch - Estamos fazendo as coisas de maneira progressiva, na medida em que vamos tendo consenso em aplicar as modificações. Evoluimos bastante. Estamos renegociando todos os contratos e os investimentos. Por enquanto, não estamos renegociando com os clientes, mas sim com os fornecedores, porque a preocupação maior neste momento é com os custos. Em setembro as negociações com os clientes começam, já que são anuais. Neste caso, é bom saber que temos de seguir a tendência internacional, o que limita a nossa capacidade de negociar. Com os fornecedores, como estamos na ponta compradora, a margem é muito maior. Também estamos reduzindo os conselhos de administração e os conselhos fiscais. Para cada empresa do conglomerado Vale havia um conselho de administração e um fiscal com pessoas diferentes. Com a mudança, as mesmas pessoas se repetirão nas companhias de um mesmo setor. Com isso economizamos bastante em pessoas. Também estamos levando os escritórios para junto das unidades produtivas. O caso da Cenibra é exemplar: ela tinha um escritório em Belo Horizonte e outro em Novo Horizonte, a cerca de uma hora da capital mineira. Estamos acabando com o da capital e concentrando tudo em Novo Horizonte.
AE - E nos escritórios internacionais, já houve mudanças?
Steinbruch - Os escritórios dos Estados Unidos e da Bélgica terão menos funcionários, para serem somente escritórios de venda. Todo componente político e mercadológico está sendo eliminado. Tínhamos 37 pessoas nos Estados Unidos e mais 37 na Bélgica. Ficarão sete em cada um, apenas. Vamos dar oportunidade aos que são brasileiros de voltarem. Já o do Japão e o da China permanecerão como estão.
AE - Tem sido dito que os contratos com os clientes japoneses são historicamente pouco favoráveis à Vale. Os senhores já avaliaram essa questão?
Steinbruch - Acho que isso não procede. Os japoneses são sócios da Vale em muitos negócios. Carajás foi feito em função da proximidade com o capital japonês. Na medida em que investiram tanto lá, obtiveram alguma diferenciação em termos de preços. Queremos manter os mesmos termos, mas dentro da tendência do mercado internacional, seja no que se refere a preços, a qualidade ou a produto. Se precisarmos investir mais para agregar valor aos nossos produtos e conseguir preço melhor, investiremos. Se tivermos de misturar componentes para obter um minério enriquecido que se preste melhor a cada cliente, e que tenha um preço mais elevado, faremos.
AE - A Vale, como estatal, atuava desta maneira?
Steinbruch - Não. A estratégia dela era a de aumentar a produção e ganhar muito mercado. A nossa é a de agregar valor a essa produção. Não é que a Vale estivesse em mau caminho - era apenas o estágio em que ela se encontrava. Afinal, primeiro se precisa ter quantidade e ganhar mercado e somente depois se vai para a qualidade.

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