Folha Por que o Iapar chegou nesta situação encontrada por você em janeiro, quando assumiu o cargo?
Ruano O instituto foi levado a esta situação de absoluto abandono porque o ex-governador Jaime Lerner não tratou a agropecuária do Paraná como ela merece, por sua importância e por tudo que representa ao Estado e sua população. Ele só pensava em Curitiba, e do ponto de vista da prancheta de um urbanista. O perfil profissional e político dele explica este tipo de postura. Tanto que agora, anunciam que ele pode ser candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Lá, realmente, pode ser um bom lugar para ele demonstrar sua competência. Aqui no Paraná, com as costas voltadas para o interior, para a agropecuária e as médias e pequenas cidades, o governo dele foi um desastre.
Folha O governo de Requião dá sinais de que haverá uma recuperação do instituto?
Ruano Sim, os sinais são bastante positivos. Com certeza 2004 já com nosso orçamento proposto por este governo será bem melhor. O orçamento do Iapar subirá dos atuais R$ 27 milhões para R$ 34 milhões. Ainda é pequeno, para o tamanho de serviço que podemos prestar pelo Paraná, mas já houve aí um reajuste de mais de 25%. Além disto, estamos negociando com a Secretaria de Administração do Estado, para o próximo ano, a possibilidade da abertura de concurso para a reposição de pessoal nas mais de 200 vagas que temos disponíveis em nosso quadro. Negociamos também, para 2004, uma readequação na tabela do PCCV que pode significar a reposição da perda acumulada nos salários.
Folha Apesar de todas estas dificuldades, o Iapar seguiu produzindo. Quais são os resultados que podem ser destacados?
Ruano O resultado de nossa produção é muito grande, complexo e importante, nas dezenas de grupos de pesquisas e na formulação, difusão e implementação das políticas públicas para a agropecuária do Estado. Desde 1980, nossos pesquisadores colocaram no mercado 119 variedades melhoradas de trigo, feijão, algodão, arroz, milho, mandioca, batata, amendoim, café e outras dezenas de produtos. Isto demonstra pela quantidade e qualidade a capacidade técnica e abnegação dos profissionais do Iapar, apesar de todas as dificuldades enfrentadas por eles nos últimos anos.

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