Ex-funcionários da Philip Morris
trocam os cigarros por chocolates
José SuassunaAcir José, um dos 80 funcionários mantidos nas instalações da antiga fábrica de cigarros, integra a primeira turma que está sendo treinadaJosé SuassunaWilson Roberto Pires, demitido da fábrica de cigarros em 98, está desempregado até hoje: trabalho, só como autônomoDos 120 alunos que integram a primeira turma da Universidade do Alimento, 64 são ex-funcionários ou ainda trabalham nas instalações da antiga fábrica de cigarros da Philip Morris, que será a sede da Kraft Lacta Suchard, na Cidade Industrial de Curitiba. Todos têm esperanças de ser chamados para a nova atividade, que exigirá conhecimento específico na produção de refrescos e chocolates. A profissião é uma novidade para a maioria, mas eles se dizem dispostos a aprender. Este é o caso de Wilson Roberto Pires, que trabalhou por 12 anos consecutivos na empresa.
‘‘Fui um dos últimos a sair e desde então só consegui trabalhar como autônomo’’, conta Pires. Sentado numa das últimas filas do auditório do Senai, onde serão as aulas, ele ouviu com atenção os discursos das autoridades e diretoria da empresa. Depois disse animado que pretendia se dedicar ao máximo aos estudos.
O operário Acir José de Lima teve mais sorte que Pires. Ele faz parte do seleto grupo de 80 trabalhadores que ficou na Philip Morris para fazer a manutenção da empresa. ‘‘Todo o povo aqui tem a expectativa desta nova fábrica. E nós fomos privilegiados por sermos a primeira turma de alunos’’, disse Lima. Assim como os demais, ele terá de alcançar a média 7 e ter 75% de frequência nas aulas.
Já o aprendiz Conrado de Oliveira, não se conteve e chorou de emoção. Ele foi escolhido para receber das mãos do governador Jaime Lerner o material escolar que utilizará na Universidade do Alimento. Oliveira vai disputar uma das 90 vagas que deverão ser aproveitadas pela Philip Morris nesta primeira seleção.
Segundo a diretoria da empresa, um grupo de 100 funcionários deve se transferir das unidades de São Paulo para Curitiba, devido à capacitação que já possuem. Parte dos 350 funcionários, que trabalham na fábrica que será desativada, será reaproveitada na empresa, mas outra parcela será demitida. (C.M.)

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