Ex-funcionários da Encol recebem direitos em Londrina
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de novembro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O Natal vai ser mais recheado para 152 trabalhadores de Londrina que prestavam serviços para a Construtora Encol em Londrina. Ontem de manhã eles foram até a sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon) para receber valores que variaram de R$ 1,5 mil a R$ 25 mil, referentes a direitos trabalhistas não pagos entre os anos de 1997 e 1999, quando a empresa decretou falência. No total, foram pagos R$ 795 mil.
Os cheques recebidos ontem são equivalentes a 60% dos créditos não corrigidos dos trabalhadores junto à construtora. O restante já havia sido pago há quatro anos. ''Em 2001 o sindicato e Ministério Público negociaram a massa falida com representantes da construtora. Foi feita uma declaração de crédito de cada trabalhador, detalhando o que tinham a receber, referente a 13º, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço não depositado e férias, por exemplo. Na época, quem tinha até R$ 2,8 mil de crédito recebeu o valor integral. Acima disso, até R$ 50 mil, foi pago só 40%'', explica o presidente do Sintracon, Denilson Pestana da Costa.
Ele revela que a negociação foi difícil, e várias barreiras burocráticas tiveram que ser vencidas. ''Como todos os processos da construtora correm em Goiânia, onde era a sede da construtora, tivemos que nos dirigir várias vezes até lá. Só nos últimos 60 dias foram seis viagens.'' As despesas com documentação também foram grandes. ''Gastamos R$ 12 mil só para providenciar tudo o que nos pediram. A certa altura a diretoria se reuniu para avaliar se deveríamos continuar com a ação, porque corríamos o risco do processo demorar demais e, ao final, o patrimônio da massa falida se mostrar insuficiente para pagar os trabalhadores.''
Segundo Costa, o Banco do Brasil, um dos credores da Encol, entrou com recurso questionando o pagamento aos trabalhadores e pedindo a sua suspensão. Na semana passada, saiu uma decisão judicial ordenando que quem não tivesse conseguido tirar a Certidão de Liberação de Valores no Fórum de Goiânia até 7 de outubro não teria direito a receber os créditos. ''No caso de Londrina, todos possuíam a certidão'', afirma o presidente do Sintracon.
Costa explica que há apenas oito casos de trabalhadores que não conseguiram pegar o cheque ontem, por erros cometidos na sua emissão, mas que o problema deverá ser resolvido no início desta semana. Um destes casos é o do mestre-de-obras Aparício Barbosa de Souza, de 66 anos, que tem quase R$ 15 mil a receber e o seu cheque chegou no valor de pouco mais de R$ 2 mil, além de ser emitido em nome de Aparecido Barbosa de Souza.
O erro, porém, não tirou o humor do mestre-de-obras, que trabalhou cinco anos para a Encol. ''É até bom para aumentar um pouquinho o suspense...''. A animação também era visível no auxiliar administrativo Carlos Alberto Apontador, 35 anos, que prestou serviços para a construtora de 93 a 97. ''Vai dar para comprar um porquinho para o Natal'', brincou, para depois revelar que os R$ 3,5 mil recebidos serão investidos na construção da casa da família.


