A esperança de uma vida melhor, com emprego e salário no final do mês, deu forças para que um grupo de 80 funcionários formasse uma cooperativa e assumisse o comando de um frigorífico em Jataizinho , transformando-o na Cooperativa dos Produtores de Produtos de Origem Animal Esperança (Coopesperança). O grupo levantou R$ 14 mil necessários para a reforma do prédio e readequação dos equipamentos.‘‘Foi uma forma de garantir o emprego de pessoas que já estavam em dificuldades, sem dinheiro para comprar comida ou pagar uma conta de luz’’, disse o presidente da cooperativa, Odemir Marques, que antes ocupava a função de balanceiro.
A Coopesperança reiniciou os trabalhos ontem, com o abate de 38 animais, que serão distribuídos hoje região. Marques diz que o frigorífico fechou as portas em fevereiro deste ano, e os funcionários ficaram desempregados. Em junho, Marques e o secretário da cooperativa, Dirceu Urbano, resolveram reunir todos os colegas de trabalho e propuseram a formação da cooperativa.
Decidida a abertura da cooperativa, o grupo resolveu buscar ajuda do governo e prefeitura. ‘‘Entregamos uma carta ao governador Jaime Lerner, e recebemos propostas de ajuda’’, disse. Parte dos investimentos para reabertura do abatedouro foram financiados pela prefeitura de Jataizinho. O prédio onde funciona o frigorífico foi alugado por R$ 8 mil/mês.
Marques afirmou que esta é a primeira cooperativa de funcionários no setor no Brasil. ‘‘Fomos atrás de um modelo de regimento e descobrimos que somos a primeira cooperativa do gênero’’, disse. A elaboração dos estatutos e do regimento está sendo feita com assessoria da Universidade Estadual de Londrina. Foi estabelecida uma diretoria com nove membros. Quanto aos rendimentos que cada cooperado terá direito, Marques disse que inicialmente, serão mantidos os salários que cada funcionário vinha recebendo em sua função. ‘‘No final do ano, o lucro verificado será dividido em partes iguais entre os cooperados’’, disse. A folha de pagamento soma R$ 30 mil.
O cooperado João Xavier, que trabalha há 14 anos em frigoríficos, afirmou que a formação da cooperativa foi uma forma que manter o sustento da família. ‘‘Agora todos vamos procurar fazer o nosso trabalho da melhor maneira possível, já que estamos trabalhando para nós mesmos’’, comentou.
Futuro O frigorífico tem capacidade instalada para abater 500 animais/dia, segundo Marques. Para evitar a ociosidade dos equipamentos, a cooperativa irá terceirizar os serviços, abatendo animais para particulares. ‘‘Já entramos em contato com a Sociedade Rural do Paraná para oferecer nossos serviços aos pecuaristas’’, disse. Marques observou que os criadores podem obter uma margem de lucro maior se abaterem seus próprios animais. O presidente da Coopesperança disse que com a terceirização espera aumentar a oferta de empregos, ampliando para 120 o número de cooperados.
Segundo Urbano, secretário da cooperativa, com a entrada em vigor da portaria 145, que obriga a distribuição da carne desossada e embalada, será mais um estímulo para criar empregos. Marques observou que hoje o frigorífico já embala e identifica as carcaças, e que para atender às exigências da portaria, o frigorífico terá de passar por adaptações. ‘‘Hoje o mercado exige qualidade, só assim poderemos conquistar mais espaços’’, afirmou. A Coopesperança, segundo Marques, é um dos 18 frigoríficos em todo o Paraná que tem Serviço de Inspeção Sanitária Federal (SIF), o que o habilita para exportar carne para outros Estados.

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