Com o discurso oficial de que precisa ser competitiva no Mercado Aberto de Energia (MAE), a Copel firmou parceria com a Tradener – comercializadora de energia – em 1998. A Tradener foi a primeira comercializadora de energia do Brasil, fundada dois dias depois da publicação da lei federal que previa a criação das comercializadoras. Atualmente existem mais de 30 empresas como a Tradener atuando no Brasil, que já poderiam estar ‘‘roubando’’ clientes da Copel.
A função das comercializadoras é atuar no mercado de compra de energia das geradoras e venda para os chamados consumidores livres (aqueles que consomem mais de 3 mil megawatt/hora). A lei proíbe que as geradoras vendam energia fora de seus Estados. Como a Copel produz um excedente, a empresa se associou a parceiros privados para comercializar energia fora do Paraná e até mesmo do Brasil.
A Tradener é formada pela Copel (que detém 45% do controle), pela empresa paulista Logus e pela DGW Participações. De seus 29 funcionários, 15 são ex-servidores da Copel que aderiram ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) nos últimos anos. O diretor-presidente da Tradener, Valfrido Ávila, foi assessor da diretoria da Copel por 25 anos. ‘‘As comercializadoras são especialistas no mercado e garantem às estatais a possibilidade de vender energia fora de seu Estado de origem’’, justifica.
O primeiro cliente livre da Copel fora do Paraná é a indústria paulista Carbocloro. O negócio foi intermediado pela Tradener e atualmente a Carbocloro é o maior cliente individual da companhia. A empresa paranaense está vendendo energia para consumidores paulistas e gaúchos.
Também através da Tradener a Copel está importando energia elétrica da Argentina e Bolívia. Até o fim de 2001 serão 500 megawats. ‘‘Pode-se ter a impressão que nós começamos a importação devido à crise de energia, mas é um engano. Há dois anos trabalhamos no projeto de importação de energia para o Paranᒒ, diz. A expectativa do diretor-presidente da empresa é que até o final de 2001 a Tradener esteja comercializando 1.000 megawat/hora da Copel.
Com a abertura do mercado, que será plena a partir de 2005, tudo indica que a Tradener – que já intermedia contratos milionários – ganhará ainda mais importância no setor energético. A meta da direção da empresa é ser responsável pela venda de 5% da energia elétrica no mercado brasileiro no prazo de 10 anos. Isso representará cerca de 16 mil megawat/hora, que é a produção atual da Copel.
‘‘Uma comercializadora que tem a participação da Copel evita que outras empresas entrem no mercado local para vender energia mais barata’’, argumenta o diretor-presidente. ‘‘Através da Tradener, a Copel vende indiretamente energia elétrica fora do Paraná e ganha receita com outras fontes de geração de energia’’.
As vantagens competitivas da Copel são tão grandes que em todos os contratos feitos pela Tradener com consumidores de outros Estados o preço da energia é maior que a vendida dentro do Estado, segundo ele. Isso contraria o argumento da direção da Copel de que, com a abertura de mercado, a estatal perderia capacidade de competição para atender grandes consumidores.
Um problema que a Tradener pode enfrentar no futuro é a suspeita de que a empresa teria a participação indireta de atuais diretores da Copel, que seriam beneficiados pelos negócios da comercializadora após a privatização da Copel. (E.C.)

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