Ex-fornecedores da Telepar alertam para perigo de pane
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segunda-feira, 20 de maio de 2002
Rodrigo Sais Equipe da Folha 
Curitiba - Os proprietários de empresas que prestavam serviços à Telepar Brasil Telecom e à empreiteira Iecsa-Gta temem o risco de o Paraná sofrer um caladão nos próximos meses. Segundo eles, a escassez de investimentos da operadora de telefonia e a mudança do corpo técnico que atende a Telepar podem ocasionar uma pane generalizada no sistema telefônico estadual.
Um grupo de empreiteiros compareceu ontem à sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Curitiba, que apura irregularidades na Telepar. Para eles, a contratação de três novas empresas para coordenar o suporte técnico no lugar da Iecsa-Gta irá resultar em perda na qualidade dos serviços.
A Pampa, a Integração Koerich e a Telenge terão dificuldades para se adaptar ao mercado paranaense. Eles precisarão fazer levantamentos na rede telefônica e encontrarão dificuldades para subcontratar técnicos no Paraná, uma vez que a maioria das empresas subcontratadas já faliu por não receber o dinheiro devido pela Iecsa, analisa Ademir Brunetti, que administrava uma fornecedora da Iecsa.
Os empreiteiros tentam receber da Iecsa uma dívida estimada em cerca de R$ 8 milhões que se acumula desde janeiro deste ano. A Telepar compromoteu-se a honrar os débitos da Iecsa, mas os empresários reclamam da demora. Estão fazendo um jogo de empurra-empurra, comenta o empreiteiro Alexandre Schleger.
Além da mudança nas empresas que prestarão serviços técnicos, o grupo de empreiteiros acredita que um caladão possa ocorrer por falta de investimentos no setor. Está havendo um estrangulamento. As centrais telefônicas existentes já não comportam a demanda por novas linhas e a Telepar não investe o suficiente para resolver o problema afirma Brunetti.
Segundo ele, a falta de centrais suficientes pode causar falhas técnicas com prejuízo aos consumidores. Isso vai desde a cobrança de pulsos em chamadas que caem em telefones ocupados, ou que não são atendidos, até uma pane completa, argumenta. O empreiteiro também questiona a vulnerabilidade dos armários telefônicos espalhados pelas cidades. É muito fácil violar um equipamento desses e fazer telefonemas que serão pagos por outros contribuintes, ressalta Brunetti.
Representantes da Telepar não quiseram se pronunciar sobre o assunto.


