Ex-embaixador diz que País vai perder soberania com a Alca
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terça-feira, 02 de julho de 2002
Benê Bianchi <BR>Reportagem Local 
Crítico voraz da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o ex-embaixador Samuel Pinheiro Guimarães proferiu palestra ontem à noite em Londrina, a convite do Diretório Central dos Estudantes, e foi contundente: ''Com a área de livre comércio, o Brasil perderá a soberania para decidir as políticas públicas necessárias para enfrentar seus problemas específicos''.
Guimarães elencou três problemas gravíssimos que o País enfrenta e que, se hoje já tem dificuldades para soluciná-los, com a Alca seria impossível resolvê-los. ''O primeiro são as disparidades internas de toda ordem, cuja síntese delas são os 50 milhões de brasileiros que sobrevivem com R$ 80,00 por mês, segundo dados do IBGE. O segundo são as vulnerabilidades externas, cuja síntese é a necessidade de o Brasil levantar US$ 50 bilhões por ano para fechar as contas da balança de pagamento. O terceiro, é que o Brasil não é um país comum. Só os Estados Unidos, China e Brasil estão, ao mesmo tempo, nas listas dos três maiores em território, população e PIB. Isso mostra que o Brasil tem condições de se tornar um país rico.''
Para solucionar esse problemas o País teria que ter políticas públicas próprias de emprego, comércio, indústria, o que ele considera impossível com o estabelecimento de Alca. ''Quem empregaria mão-de-obra desqualificada? Se o País não pode disciplinar o capital, como ter política de emprego? Como estimular os setores que poderiam contribuir com o aumento das exportações, se não pudermos proteger nossa produção?''
Outro aspecto abordado por Guimarães é sobre as concorrências públicas. Numa área de livre comércio, todas as empresas podem participar de licitações do governo. Hoje, as empresas instaladas no Brasil têm preferência nas concorrências, ''o que gera emprego aqui dentro''. Ele destaca que com a Alca, produtos poderão ser fornecidos por qualquer fábrica de fora, empregando a mão-de-obra e gerando riquezas no país de origem.
Os setores mais prejudicados com a Alca inicialmente, opina Guimarães, são de tecnologia mais avançada. A agricultura também perderia, por ser um dos setores mais protegidos nos EUA.
Guimarães foi exonerado do cargo de diretor do Instituto de Pesquisas em Relações Internacionais (IPRI) do Itamarati em 2001 ao criticar publicamente a entrada do Brasil na Alca.


