Ex-diretor do BC acredita que taxa Selic pode cair
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sábado, 12 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro O ex-diretor da Dívida Pública do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, professor do Ibmec, acha possível que o Copom baixe a Selic de 19% para 18,75% ou 18,5% ainda este mês, apesar de a inflação ter sido mais alta que a esperada, em praticamente todos os índices. O Banco Central olha para a inflação futura, para seis ou sete meses à frente na hora de fixar os juros porque esse é o prazo para uma mudança na taxa fazer efeito na atividade econômica, diz Freitas.
De acordo com ele, a alta da inflação registrada nas divulgações desta semana se deve a problemas climáticos de curto prazo. No longo prazo, diz, o que deve contar são outros fatores.
Um fator é a safra de grãos, que, pela expansão da área plantada, espera-se que seja recorde. Outro é que até agosto, quando os juros fixados no fim de janeiro devem fazer efeito, boa parte dos reajustes de tarifa já terá ocorrido.
Já o professor da PUC-Rio Luiz Roberto Cunha, integrante do Conselho Consultivo do Conselho do Sistema de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acredita que os juros não irão cair este mês, já que a inflação surpreendeu para cima, mas diz que a alta da inflação neste momento não lhe preocupa.
Para o coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (GAC/Ipea), Paulo Levy, o núcleo da inflação está pressionado porque, mesmo depois do recuo do dólar a partir de outubro, há ainda um efeito de repasse para os preços do varejo da alta do câmbio que ocorreu na maior parte do ano. No entanto, ele também diz não estar muito preocupado com a inflação.


