Ex-diretor de banco é condenado
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terça-feira, 12 de agosto de 2003
Leandro Donatti<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- A Justiça Federal do Paraná condenou o ex-diretor de Crédito Imobiliário do extinto Bamerindus Ênio Ribeiro de Almeida, hoje presidente do Paraná Clube, ao pagamento de uma multa de R$ 50 mil e à perda de bens e valores num montante de R$ 43,4 milhões. As informações constam no site da Justiça Federal de ontem.
Almeida está sendo processado pelo Ministério Público Federal desde maio de 2000 por ter concedido, entre 1992 e 1998, empréstimos na ordem de R$ 43,4 milhões a cinco empresas da construção civil. Como diretor de Crédito, teria estabelecido taxas de juros inferiores às de mercado, perdoado dívidas, alongado prazos, e formalizado garantias insuficientes e inexistentes ao pagamento dos empréstimos.
Claudir Antonio Macioski, Dalton Antônio Schultz Gabardo e Luiz Roberto Farah, procuradores do banco e signatários dos contratos em nome do Bamerindus, hoje de propriedade do grupo inglês HSBC, foram absolvidos.
Para o juiz federal substituto Marcos Josegrei da Silva, da 3 Vara Federal Criminal de Curitiba, eles apenas assinavam os contratos, responsabilizando-se pela formalização dos negócios jurídicos já decididos pelo Conselho Diretor.
Almeida foi condenado por gestão temerária a quatro anos de reclusão e 100 dias-multa. Como é réu primário, a pena privativa de liberdade foi substituída pelo pagamento de R$ 50 mil e à perda de bens e valores no montante do prejuízo causado à instituição financeira, fixado pelo juiz em R$ 43.420.591,29. O valor corrigido será destinado ao Fundo Penitenciário Nacional.
Procurado pela Folha, Almeida disse que vai recorrer. Alega que as operações eram complexas, por envolverem créditos imobiliários, mas que foram feitas dentro da ''boa técnica bancária''. Ele contestou os R$ 43,4 milhões noticiados pela Justiça Federal, como perda de bens e valores, alegando que são R$ 43 mil.


