Evolução do PIB pode indicar reação
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terça-feira, 28 de maio de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro Os dados referentes à evolução do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), permitem duas leituras. Quem comparar os indicadores com igual período de 2001 vai constatar que a queda de 0,73% verificada no trimestre mostra que a economia nacional ainda está em processo de desaceleração. Foi a segunda queda trimestral seguida, derrubando o indicador anual (quatro trimestres seguidos) para irrisórios 0,29%, bem abaixo do número fechado de 2001 (1,51%) e de 2000 (4,14%).
Mas quem comparar os dados com os do último trimestre do ano passado pode concluir que o fundo do poço do atual ciclo econômico ficou para trás, com a economia do País voltando a crescer. O aumento de 1,34% no trimestre em relação ao trimestre imediatamente anterior foi o melhor indicador nos últimos cinco trimestres. No primeiro trimestre de 2001, por exemplo, a variação do PIB trimestral (em relação ao trimestre imediatamente anterior) registrou crescimento de 1,17%, queda de 1,38% no segundo trimestre, queda de 0,44% no terceiro trimestre e estabilidade (crescimento de 0,09%) no terceiro trimestre.
Os técnicos Eduardo Nunes e Roberto Olinto, do Departamento de Contas Nacionais do Ibge, responsáveis pelo cálculo do PIB, são cautelosos em sustentar que o pior já passou, mas demonstram discreto otimismo. Há fortes sinais de retomada do crescimento, observa Nunes, chefe do Departamento de Contas Nacionais da instituição. Mas só teremos certeza se a retomada é consistente após dispormos dos dados desse segundo trimestre.
Os efeitos do racionamento de energia elétrica ainda pesam no PIB. Tanto que os chamados serviços industriais de utilidade pública (SIUP), com destaque para a energia elétrica, foram os que apresentaram pior desempenho no primeiro trimestre de 2002, com queda de 12,2% no período (crescimento de 3,6% no primeiro trimestre de 2001). Outro setor com desempenho ruim foi o de construção civil, com queda de 8,9% (aumento de 4,3% em 2001). Também o comércio não vai bem (queda de 4% contra aumento de 4,3% no ano passado) e a
indústria de transformação continua em queda (redução de 2% na atividade no primeiro trimestre).
Em contrapartida, o setor de comunicações, com destaque para a telefonia, continua sendo o mais dinâmico da economia, apesar de ter registrado desaceleração na taxa de crescimento. No primeiro trimestre deste ano, o setor registrou expansão de 9,2% em relação ao mesmo período de 2001, abaixo dos 13,9% observados em igual período do ano passado. Também o setor extrativo mineral, com destaque para a indústria do petróleo, está em expansão, com aumento de 8% no primeiro trimestre (10,6% no ano passado).
A agropecuária e outros serviços, também estão com variação expressiva
para os atuais padrões da economia. A agropecuária cresceu 4,4% no primeiro trimestre (5,1% no primeiro trimestre de 2001) e o segmento de outros serviços teve avanço de 4% (3% no ano passado). A atividade de intermediação financeira (bancos) continua crescendo, mas registrou desaceleração expressiva no primeiro trimestre. A expansão ficou em 0,6%, bem abaixo dos 2,6% registrados no ano passado. Também a administração pública está se expandindo menos, com aumento de 1% este ano e 1,6% no ano passado.
O fato de os indicadores deste ano estarem sendo comparados com os de igual período do ano passado explica, em parte, o pior desempenho deste ano. É que a economia registrou no início de 2001 um dos momentos mais favoráveis da história recente e a comparação gera distorções devido à base estatística.


