Evitar consumo é quase impossível, diz sociólogo
Há uma busca constante pela compra de bens, que vem aumentando nos últimos anos, à medida em que as sociedades ficam mais modernas. As relações são balizadas pelo consumo, afirma o sociólogo, Ronaldo Baltar, professor da UEL. Nas principais sociedades, acrescenta ele, a modernização está sempre vinculada ao consumo e fica cada vez mais difícil evitá-lo.
Somos bombardeados o tempo todo por informações que incentivam as compras. O próprio lazer se transformou numa forma de consumo e é difícil escapar disso. E, muitas vezes, quem não participa se sente excluído, comenta. Mesmo em sociedades que até alguns anos atrás não havia muito consumo, a realidade é outra. Ficar de fora desse sistema de consumo pode ser ficar fora de algumas coisas importantes, como remédios, cultura (livros, CDs, DVDs), informa Baltar. Somente em sociedades tribais esse sistema não deve ter chegado, acredita.
O consumo vai aumentando, explica o sociólogo, na medida em que uma parcela da população vai saindo da linha de pobreza e conquistando o mercado de trabalho. E todo sistema de produção está vinculado à produção de mercadorias que precisam ser vendidas, e precisam ser vendidas para gerar mais empregos e produzir mais...é um ciclo, avalia Baltar.
Diante deste cenário, a melhor alternativa para evitar prejuízos e endividamentos, aponta ele, é mesmo controlar o orçamento. O planejamento torna-se fundamental nesse sistema. Se a pessoa consegue economizar, poupar, consegue se livrar dessa dependência. E essas orientações devem ser repassadas para os filhos, orienta.
Essa realidade é irreversível? A curto e médio prazos, sim, avisa o sociólogo. Alguns dilemas, segundo ele, como a degradação do meio ambiente já estão colocando em xeque essa sociedade de consumo e já existe um movimento no sentido de modificá-la. A gente tem visto a reciclagem como uma tendência, a propagação do consumo consciente, o uso racional da água, das energias e dos próprios alimentos. Tudo isso aponta para uma mudança, mas a longo prazo, prevê. (E.Z.)





