Os representantes do setor eletroeletrônico fizeram ontem uma dura crítica ao governo brasileiro, que estuda, junto com os seus parceiros no Mercosul, a redução da Tarifa Externa Comum (TEC) para bens de informática e telecomunicações. O vice-presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Sérgio Galdieri, disse que a medida, se tomada, poderá ‘‘sabotar’’ a indústria de componentes e tornar a balança comercial do setor ‘‘inadministrável’’, contaminando a balança comercial do País.
O diretor executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida, foi ainda mais longe e chamou de ‘‘burra e imbecil’’ a possibilidade de o Brasil vir mesmo a aceitar a redução da TEC para esses produtos. ‘‘Além de prejudicar os investimentos futuros de indústrias de componentes que poderiam instalar-se no Brasil, o governo estará renunciando a parte dos recursos provenientes de impostos de importação’’, afirmou Almeida. De acordo com Galdieri, a Abinee calcula que este ano o déficit da balança do setor deverá chegar a US$ 8 bilhões. ‘‘Com a redução da TEC, certamente esse saldo negativo ficará ampliado a curto ou médio prazos’’, afirmou o executivo da Abinee.
Em junho, durante a reunião do Grupo Mercado Comum (GMC) em Assunção, os quatro países do bloco - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - vão decidir as novas alíquotas de importação para o setor, conforme acertado durante a reunião do GCM em Florianópolis, em dezembro do ano passado. Galdieri informou que a TEC média de 14% para componentes poderá ser reduzida pelo governo para 2%, taxa que deverá criar maiores dificuldades para atrair investimentos e estimular a instalação de indústrias estrangeiras no Brasil.

mockup