Evento na Expo debate qualidade da produção em laticínios
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A responsabilidade de garantir ao consumidor um leite de qualidade é uma questão que tem ganhado destaque desde as denúncias do Ministério Público do Rio Grande do Sul sobre a adulteração do leite distribuído em diversos laticínios do Sul do País. Um desses personagens é o responsável técnico inserido dentro das empresas, profissionais que realizam todos os testes físico-químicos antes do produto ser embalado.
O grau de competência e responsabilidade desses profissionais foi o tema do Seminário de Responsabilidade Técnica na Indústria de Laticínios, realizado ontem pela manhã no Parque Ney Braga, durante a ExpoLondrina. De acordo com Paulo Hiroki, extensionista do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o evento veio para reforçar a importância dos técnicos no processo produtivo.
"Notamos que existem falhas na capacitação desses profissionais que são responsáveis por todo o processo de avaliação do leite na indústria", analisa. Hiroki destaca que, em alguns estabelecimentos, esse técnico não consegue realizar todo o processo de inspeção. "Por isso é necessário promover a atualização desse profissional", desabafa. A missão desse profissional, completa ele, é detectar qualquer não conformidade existente no produto.
O extensionista do Emater esclarece que não basta a um laticínio ter os documentos de qualidade e inspeção do produto, também é necessário realizar constantes auditorias e análises dos procedimentos. "Além disso, necessitamos de um sistema de fiscalização mais eficiente. A inspeção do sistema de produção deveria ser periódica", completa Hiroki. Ele observa que o sistema atual de inspeção funciona, mas precisa ser melhorado.
Eliel de Freitas, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná, uma das entidades realizadoras do evento, afirma que há tempos a instituição tem discutido a responsabilidade técnica. "O responsável deve trabalhar em conjunto com a assistência técnica", enfatiza.
Atualização
Cezar Agustini Neto, médico veterinário e responsável técnico do laticínio do Campo, localizado no município de Leópolis (Norte), veio a Londrina para verificar se há novidades em relação às novas técnicas de fiscalização. "Pratico no laticínio onde trabalho todas as normativas vigentes. Vim ao evento para me atualizar", destaca Agustini Neto.
Ele explica que todos os dias acompanha o processo de controle de qualidade do laticínio, que vai desde a retirada do leite até o envase. Ao todo, completa o veterinário, são realizadas várias análises por dia para contagem bacteriana, proteína contida no leite e índices de gordura. "O Ministério da Agricultura não exige todos os testes que realizo, mas tenho um nome a zelar", completa o veterinário.
O produtor rural Nilton Shibazaki fez questão de participar do seminário para se informar melhor sobre condições fitossanitárias de produção. Com 20 hectares na região de Apucarana (Norte), Shibazaki quer voltar a produzir leite depois de enfrentar um período difícil, sendo obrigado a vender todos os animais. "Queremos renovar tudo com a ajuda do Emater", disse bastante entusiasmado.


