Exportar pode ser um divisor de águas na trajetória de uma empresa. Além de ampliar mercados e diversificar receitas, a presença internacional ajuda a diluir riscos e a sustentar o crescimento mesmo em períodos de instabilidade no mercado interno.

O Paraná, assim como o Brasil de um modo geral, é forte nas exportações de commodities, mas ingressar no comércio exterior é uma possibilidade ao alcance não só das empresas do agronegócio, mas de todos os segmentos e tamanhos, até mesmo das de pequeno porte.

Em todos os continentes, há consumidores para uma variedade enorme de produtos e os fabricantes brasileiros, aos poucos, têm prestado atenção às demandas internacionais e desbravado novos mercados.

Um exemplo é a startup Papel para Mechas, criada há quase seis anos, em Londrina. Os fundadores da empresa colocaram no mercado um produto sustentável que substitui o papel alumínio utilizado pelos salões de beleza no processo de descoloração capilar.

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| Foto: Thomé Lopes/Sebrae-PR

O cofundador e diretor de Operações da startup londrinense, Adailton Alves Maciel Junior, revelou que o segredo para lançar produtos em mercados estrangeiros é identificar oportunidades e perder o medo. Ainda enquadrada na classificação de pequena empresa, a Papel para Mechas já tem compradores em 19 países, em todos os continentes, exceto o asiático. No Mercosul, apenas Bolívia e Uruguai ainda não são importadores.

Maciel contou que havia a vontade de abrir mercado em outros países, mas o que lhe abriu os olhos para essa oportunidade foi a participação em uma feira mundial de cosméticos, que acontece anualmente na Itália. Após incentivo de um consultor, ele e o sócio viajaram para a Europa para participarem do evento como visitantes.

O ano era 2023 e esse foi o empurrão que faltava para iniciar as atividades no comércio exterior. “Chegamos lá e vimos o mundo todo reunido, convergindo em ideias e encontramos mercado para o nosso produto”, relembrou Maciel. “Foi uma virada de chave.”

Vencidas as primeiras dificuldades, especialmente na compreensão do funcionamento do setor logístico, hoje os sócios já retornaram à feira europeia como expositores e montaram seu estande em outras feiras internacionais. Assim, foram se aprimorando no mercado e, atualmente, as exportações da startup representam entre 25% e 30% do faturamento anual da empresa.

Nesse caminho, a startup londrinense contou com o apoio do Sebrae/PR e da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), que conduzem o PEIEX (Programa de Qualificação para Exportação).

Tanto a entidade paraestatal quanto a agência pública de fomento às exportações oferecem programas unificados para preparar empresas para o mercado internacional e de forma gratuita. “Existem incentivos que valem muito a pena para o empresariado”, disse o diretor de Operações da Papel para Mechas.

Para estimular o networking, aproximar exportadores de importadores e ensinar o caminho das pedras para empresários que desejam percorrer trajetórias semelhantes à trilhada pela startup londrinense, foi realizado nesta quarta-feira (26), no Centro de Eventos do Aurora Shopping, em Londrina, a segunda edição do Exporta Day, promovida pelo Sebrae/PR em parceria com o Comex (Núcleo de Comércio Exterior) da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Abratic (Associacao Brasileira de Tecnologia, Inovação e Comunicação) e Estação 43, com o apoio da Câmara de Comércio Paraguay Brasil.

Um dos palestrantes, o coordenador de Análise de Mercados da ApexBrasil, Adriano Santos de Azevedo, falou sobre as oportunidades de exploração de mercados externos para os produtos paranaenses e apresentou um panorama geral das exportações do Paraná e de Londrina. “Este é o momento ideal para falar sobre diversificação.”

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| Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O Paraná tem uma balança comercial superavitária. Em 2024, o Estado exportou US$ 23,3 bilhões e as vendas ao mercado externo foram puxadas por produtos do agronegócio, com as commodities, e a indústria da transformação, também fortemente ligada ao agronegócio.

São quase 2,8 mil empresas exportadoras no total e os principais países compradores são China, Estados Unidos, Argentina, México e Paraguai. O país asiático importa quase um quarto dos produtos paranaenses. No ano passado, os chineses compraram US$ 5,8 bilhões de empresas do Estado. Nos últimos 20 anos, o mercado mexicano foi o que mais cresceu, com avanço de 31,8%.

Em Londrina, a soja é o principal item vendido ao mercado externo, com 54%, seguida por extratos e preparações de café, chá mate, chicória torrada e sucedâneos (19,3%), milho (9,5%), trigo e mistura para centeio (4,3%) e inseticida, herbicida, fungicida e produtos semelhantes (2,1%).

Assim como no Paraná, a China é o principal mercado consumidor dos produtos londrinenses, com US$ 450,2 milhões no ano passado, o que corresponde a 48,1% do total das exportações do município. Em seguida estão o Irã, com 5,4% das exportações, e os EUA, com 4,3%. Londrina exportou, no ano passado, US$ 935,7 milhões.

Mas ainda há muito espaço para crescer em vendas e ampliar o leque de produtos comercializados no mercado externo, afirmou Azevedo. Algumas ferramentas internas desenvolvidas pela ApexBrasil podem ajudar na identificação de novos importadores. Uma delas é o Mapa de Oportunidades de Exportações Brasileiras para o Mundo, que indica o tamanho e o tipo de cada oportunidade, tanto de abertura quanto de consolidação de mercados.

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| Foto: Thomé Lopes/Sebrae-PR

O Painel de Comércio, atualizado mensalmente, complementa o mapa de oportunidades e permite a consulta das exportações brasileiras em blocos econômicos, regiões e países por produto (NCM). A ApexBrasil disponibiliza ainda um documento que permite aos empresários encontrar alternativas de diversificação de mercados por setores econômicos.

“O Exporta Day é um evento de conexões globais. Temos, hoje, participando da rodada de negócios, mais de 95 empresas multissetoriais e 11 importadores querendo comprar os produtos aqui da nossa região. Paraguai, Peru, Bolívia, Colômbia e Argentina estão buscando produtos nossos”, disse a consultora do Sebrae/PR, Danubia Milani.

O evento, destacou a consultora, é uma oportunidade de promover conexões e aumentar as exportações de produtos acabados feitos na região. “A gente muito atua com commodities, mas quando a gente tem a exportação do produto da manufatura, isso gera um valor agregado muito grande.”

O Exporta Day contribui ainda para superar desafios que impedem o avanço das empresas locais sobre mercados externos. “Uma das barreiras é a língua, mas os empresários não precisam dominar o inglês ou o espanhol para fazerem negócios com outros países. Outra barreira que vemos é que alguns querem explorar todo o Brasil para só então começar a exportar. Mostramos que não tem essa necessidade e que países do Mercosul e da América Latina, às vezes, estão mais próximos e pagam em dólar, o que é melhor.”

Mais do que impulsionar as vendas, investir no comércio exterior e na diversificação de mercados é um meio que as empresas têm de sobreviverem a instabilidades. “A gente sempre orienta o empresário a nunca ficar refém de uma única economia, de uma única moeda”, frisou a consultora do Sebrae/PR.

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