Terminou ontem, na sede do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina, a avaliação do 12º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil. Realizado pela primeira vez no Estado, 30 amostras de diversas regiões do Brasil, de um total de 320, foram selecionadas na etapa final. E foi eleito o melhor grão do Brasil o de um lote da Fazenda Rainha, localizada no município de São Sebatião da Gama, de São Paulo. O lote campeão recebeu a pontuação de 91,41 pontos e ganhou o direito de participar do leilão Cup of Excellence, maior evento de venda de café de qualidade do mundo, que ocorrerá pela internet no dia 18 de janeiro de 2012.
Silvio Leite, coordenador técnico do evento, destaca que a escolha do Paraná para sediar um concurso dessa magnitude se deu pelo crescimento da produção de café de qualidade no Estado. Ele observa que esse nicho de mercado vem despertando interesse de muitos produtores paranaenses. Armando Androcioli, diretor de pesquisas do Iapar, aponta que o evento serviu para mostrar ao resto do Brasil e também para todo o mundo que o Paraná tem condições de produzir café de alta qualidade.
''Nós aqui do Iapar estamos trabalhando junto ao produtor para produzirmos um grão com o mais baixo índice de impureza'', sublinha Androcioli. Segundo ele, novas variedades no mercado, controle sistemático de pragas e doenças, adensamento e adubação na medida certa trouxeram bons resultados em termos de qualidade para a cafeicultura paranaense.
Segundo ele, regiões como Norte Pioneiro, Grandes Rios, Apucarana, Mandaguari, Jandaia do Sul, dentre outras, têm condições propícias para produzir café com alto índice de pureza. Para o presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Luiz Paulo Dias Pereira Filho, a escolha do Paraná para realizar o concurso aconteceu no ano passado, quando um produtor paranaense ficou entre os dez primeiros.
''A finalidade desse concurso é motivar o produtor a trabalhar melhor em sua lavoura e também conquistar o mercado externo'', sublinha Filho. Além disso, frisa o presidente da associação, com a participação de juízes de diversas partes do mundo, dentre eles Eduardo Ambrocio, presidente da Associação Nacional do Café da Guatemala, considerado o ''papa'' do café mundial, o Brasil começa a ganhar credibilidade perante o mercado internacional.
Avay Miranda Junior, gestor de projetos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), uma das fomentadoras do concurso, revela que o Brasil já está em processo de internacionalização de seu café. ''Estamos divulgando para o mundo que o café brasileiro é inovador, tem qualidade e é sustentável'', destaca Junior.
Com essa proposta, assegura ele, o Brasil conseguirá mostrar ao mundo que a sua produção é de qualidade. O País chega a exportar, de acordo com dados da Apex, por volta de US$ 200 milhões ao ano de grãos de alta qualidade. Um dos principais destinos são o Japão, os Estados Unidos e a Europa. Porém, avalia Junior, mercados como a China e a Coreia do Sul são os próximos alvos do Brasil. Coincidência ou não, dois dos 21 juízes que participaram do processo de avaliação do concurso são de origem sul-coreana.

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