Evento apresenta variedades de mandioca em Londrina
Manhã de campo reunirá nesta quinta (23) interessados em conhecer seis cultivares voltadas para consumo direto e desenvolvidas por institutos públicos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de maio de 2019
Manhã de campo reunirá nesta quinta (23) interessados em conhecer seis cultivares voltadas para consumo direto e desenvolvidas por institutos públicos
Fabio Galiotto - Grupo Folha 

A avaliação de seis novas variedades de mandioca de mesa serão apresentadas nesta quinta-feira (23), em Londrina, em uma manhã de campo promovida por institutos de pesquisa e extensão, com inscrições abertas aos produtores. O objetivo é mostrar os avanços de cultivares em termos de resistência e combate a pragas e doenças, em características de cada tipo de manivas e quais são os procedimentos legais para agregar valor ao produto e aumentar a renda.
O evento técnico será no assentamento Fazenda Akolá, no lote 6 chamado chácara Bela Manhã, no distrito de São Luís, em Londrina. No local, foram plantadas seis variedades há um ano, no modelo de produção que o próprio agricultor utiliza e serão apresentados os resultados em termos de peso, produtividade e sabor durante a visita. Haverá degustação de cada um dos tipos e os agricultores receberão manivas de cultivares para comparações nas propriedades deles.
A participação é gratuita. Os interessados poderão fazer as inscrições até a abertura do evento, às 9 horas, no local, pelo telefone do Emater (43) 3878-4452 ou via WhatsApp (43) 99926-9555.
O engenheiro agrônomo do Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) Paulo Mrtvi afirma que a rentabilidade chega a ser no mínimo cinco vezes maior do que a da soja, o que torna a cultura bastante adequada para propriedades menores ou familiares. “A produção bruta no ciclo de um ano vai de 18 mil a 20 mil quilos por hectare e é possível entregar em mercados a no mínimo R$ 1,50 por quilo a mandioca descascada no mercado”, diz.
Ele lembra que o custo de produção é de R$ 0,33 por quilo. Assim, considera que é possível uma renda de até R$ 30 mil ao ano em um hectare. Para isso, afirma que é necessário conhecimento sobre os avanços no mercado.
Das seis variedades apresentadas, três são da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), uma do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), uma do IAC (Instituto Agronômico de Campinas) e uma do próprio produtor do assentamento. O pesquisador Marcelo Ribeiro Romano, da Embrapa, e o pesquisador entomologista do Iapar Humberto Godoy Androcioli vão apresentar as diferenças e falar sobre o manejo de pragas. “É importante ressaltar que é uma iniciativa de integração entre pesquisadores, que desenvolvem o produto, e a extensão, que leva ao produtor.”
MERCADO
Em Londrina, o Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento) estima uma área plantada com mandioca de 1,2 mil hectares e produção média de 18,5 mil quilos por hectare.
A comercialização desse produto difere das variedades voltadas à indústria, mais comuns na região de Paranavaí e que contêm maior percentual de amido. O tipo de mesa é voltado ao consumidor. “Hoje existem equipamentos para plantio e o afofador de terra para a colheita, que facilitam o trabalho. É uma alternativa de renda para o pequeno produtor porque diminui a necessidade de mão de obra, que pode ser familiar”, diz Mrtvi.
AGREGANDO VALOR
Produtor em Londrina e proprietário da AGS Alimentos, Benedito Aparecido Gomes afirma que foi um dos primeiros a vender a mandioca descascada no mercado, há 30 anos, em feiras livres ao lado do sogro. Ele chegou a ter 30 funcionários na função, mas diz que hoje praticamente todos os produtores vendem o produto já pronto para o consumo.

A solução para se diferenciar foi agregar valor ao produto com uma agroindústria própria. “Hoje vendo massa pronta de mandioca para salgados, faço salgados que vendo até para fora do Paraná, mandioca embalada a vácuo, pré-cozida, palito... Processo 1,5 mil quilos por dia”, diz, ao completar que tem 12 funcionários no momento.
Com 15 hectares de produção própria, Gomes conta que precisa comprar de terceirizados. Ele critica, porém, agricultores que canibalizam o mercado com a venda de produtos sem qualidade ou cuidado e baixos preços. “É preciso explicar para o produtor que tem de dar valor ao trabalho. Se tivesse fiscalização, muitos teriam problemas com a vigilância [sanitária] porque não armazenam em câmara fria, guardam em qualquer pacote e saem para vender na rua. É preciso cuidado”, cita.
Com a agroindústria, Gomes explica que quase dobra a rentabilidade por hectare, para R$ 47 mil. Por vender um produto embalado de forma especial, vende também a R$ 4 por quilo e acredita ser possível atender uma demanda maior. “Tenho condições de ampliar, mas vai ser mais fácil comprar mandioca de outros produtores porque a mão de obra é escassa e não quero aumentar minha área”, conta.


