Evento analisa programa automotivo
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quarta-feira, 27 de setembro de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O anúncio da vinda das montadoras de automóveis para o Paraná completa dez anos. Hoje, apenas 18 empresas locais do Estado ainda fazem parte do Programa Paraná Automotivo que foi lançado em 1997. O programa nasceu em decorrência dos investimentos anunciados pelo Governo do Estado no setor automotivo. O objetivo fundamental era preparar o setor metalmecânico para as potenciais oportunidades de negócios nesta área.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal-PR), Roberto Karam, disse que o que faltou na época de lançamento do programa foi um fundo de aval para ajudar as empresas com financiamentos. Este problema, aliado a falta de capacitação do pessoal e da ausência de um mercado para produção em escala - para ter um preço menor - foram os fatores que levaram o programa a não conseguir agregar mais empresas.
Apesar de todas as dificuldades, ele disse que as empresas locais responderam ao desafio da vinda das montadoras. ''Se espalhou uma mentalidade de qualidade nas empresas paranaenses com as montadoras'', afirmou.
Karam destacou que as montadoras mudaram o perfil industrial do Paraná. Para ele, a crise pela qual passam estas empresas faz parte de um processo de mudanças que é normal. ''O setor é vítima do processo econômico do País'', afirmou. Karam disse ainda que falta uma política industrial no Brasil, não apenas para o setor automotivo, mas para as indústrias como um todo.
Ele acredita que o futuro das empresas que operam no pólo automotivo está no enxugamento de custos, no investimento em tecnologia para ter produção com qualidade em menos tempo e na preservação da mão-de-obra que as empresas já qualificaram. Além disso, ele alertou que as empresas não podem cair na tentação da importação fácil de componentes. ''Hoje está mais fácil importar do que fabricar aqui. Mas, isso é um tiro no pé'', afirmou.
''Depois de dez anos, tudo virou uma questão de mercado'', disse o coordenador do Programa Paraná Automotivo, Elcio José Rimi. Para ele, a ''indústria automobilística se move ao sabor dos resultados''.
Ele avalia que houve melhora nas empresas automotivas instaladas na Região Metropolitana de Curitiba sob o ponto de vista de qualidade, gestão e faturamento. Algumas não atendem apenas o pólo automotivo do Paraná mas de outros Estados. ''As empresas cresceram independentemente de fornecerem para as montadoras'', disse.
O ciclo automotivo começou com a Volvo e a CNH (tratores e colheitadeiras) a partir da década de 70. O anúncio da Renault aconteceu em 1996 no Paraná e a montadora começou a operar entre 1998 e 1999. A Volkswagen começou em 1999 e a Chrysler em 1999 e encerrou as atividades em 2001.
O tema fez parte Ciclo de Debates sobre o Pólo Automotivo Paranaense realizado ontem, em Curitiba, durante a 6 Feira de Gestão da UniFAE, no Estação Embratel Convention Center.


