Os produtores de maçã do Estado do Paraná estão colhendo a primeira safra comercial da variedade IAPAR 75 EVA . Nos município de Campo do Tenente e Campo Largo, região Sul, a fruta surpreende pela sua alta produtividade e excelência do sabor.
EVA é resultado de 12 anos de pesquisas do Programa Fruticultura do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Para o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, a ampla adaptação da cultivar de maçã revela o estágio de maturidade e a competência da instituição.
A IAPAR 75 EVA é uma cultivar de macieira que apresenta baixa exigência em frio, alta precocidade, alta produtividade (média de 30 toneladas/ha em pomares sob manejo intensivo), boa qualidade dos frutos e excelente adaptação às condições do Paraná, principalmente no Centro-Sul. É resistente à mancha foliar, principal doença da macieira. Por ser tolerante às doenças é menos exigente em defensivos.
O pesquisador Roberto Hauagge, do Iapar, doutor em genética e fisilogia de plantas, observa que ‘‘EVA’’ não veio para substituir outras variedades de maçã mas para ocupar espaço no mercado num período (dezembro e janeiro) em que não há oferta de maçãs frescas, a não ser as armazenadas há seis meses. Este é um fator de rentabilidade para o produtor. Os outros são o baixo custo de produção, alta produção por área e sua aparência e sabor agradáveis. Em termos de Mercosul, a superprecocidade da variedade criada pelo Iapar a coloca em condições acima da concorrência. Em termos de Brasil, pela precocidade de sua maturação, o produto é colhido antes das cultivares tradicionais, podendo ocorrer entre 13 de dezembro e 13 de janeiro.
Sabor delícia Os frutos são doces, levemente acidulados. Têm formato cônico e são cobertos com até 70% de vermelho vivo. A coloração de fundo, no ponto ideal de consumo, é creme-amarelada. São frutos firmes e resistentes ao manuseio, quando conservados a zero graus, por períodos de até quatro meses. Porém, em função da época de colheita, ela entra no mercado numa época de pouca oferta de maçã e dispensa armazenamento.
Sobre a produtividade da macieira IAPAR 75 EVA , Roberto Hauagge observa que ela apresenta formação florífera no ramo de um ano, característica que não é comum em macieiras de clima frio. Tem um hábito de frutificação semelhante ao pessegueiro.
O avanço conseguido com a maçã demonstra que o Estado do Paraná tem potencial para a fruticultura de clima subtropical. O presidente do Iapar, Florindo Dalberto, e o pesquisador Roberto Hauagge citam que além do conhecimento acumulado em maçãs, o Iapar já lançou, também com sucesso entre produtores e consumidores, a variedade de pêssego ‘‘Ouro’’ e a ameixa ‘‘Irati’’ - variedades extremamente precoces com ampla adaptação às regiões subtropicais - e a Nectarina ‘‘Bruna’’ - uma das mais plantadas no Sul do País atualmente.
Além das propriedades em Campo do Tenente, o Iapar tem informações de que a Eva está sendo colhida também em Marilândia do Sul, Mauá da Serra e Campo Largo, entre outros municípios.
A conquista desses materiais e o grau de satisfação revelado por produtores e consumidores também demonstram o retorno econômico dos investimentos feitos em pesquisa. No caso do Projeto Maçã, que inclui a IAPAR 75 EVA e inúmeras outras variedades, foram investidos cerca de R$ 2,5 milhões, considerando o custo direto dos 12 anos de pesquisa, um valor relativamente modesto considerando os benefícios que ela pode proporcionar em ICMS, geração de empregos (até três empregos diretos por hectare) e economia de divisas.
O pesquisador Hauagge lembra que foram estudos feitos pelo Iapar, dentro desse mesmo projeto de pesquisa, que identificaram a causa e o controle para a mancha foliar da macieira. Sem essas informações seria impossível o cultivo da maçã Gala, por exemplo, que é a principal variedade de maçã hoje no Brasil e que é suscetível a esta doença.

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