Curitiba - Representantes de grandes indústrias alimentícias da França e da Itália que compram soja no Brasil visitaram o Paraná esta semana para mostrar aos produtores e autoridades locais que existe demanda para soja e milho convencionais na Europa e na Ásia. E deixaram um recado: se o Brasil optar pela liberação do plantio de transgênicos, buscarão outros mercados, como a Índia.
Atualmente, dos três grandes produtores mundiais de soja – Estados Unidos, Argentina e Brasil –, apenas os produtores brasileiros não cultivam comercialmente as variedades transgênicas.
Além de visitar o Porto de Paranaguá, os empresários se reuniram com o secretário estadual de Agricultura, Deni Schwartz, e representantes de entidades representativas do setor, como a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e a Federação da Agricultura do Estado (Faep). O objetivo era sondar a disposição das autoridades e produtores para o plantio de organismos geneticamente modificados.
A visita foi organizada pelo Greenpeace, o mais combativo dos movimentos verdes no mundo. Segundo a assessora de imprensa do Greenpeace, Simone Corinn Czech, o secretário de Agricultura do Paraná declarou que o Estado é contra a liberação dos organismos geneticamente modificados.
Porém, se uma lei federal neste sentido for aprovada, o Paraná não poderá proibir o plantio, visto que uma lei federal se sobrepõe às decisões estaduais. ‘‘O secretário, no entanto, informou aos empresários que o Estado já está se preparando para segregar a sua produção, garantindo assim o embarque da soja e milho convencional’’, informou Simone.
Os empresários são representantes das empresas italianas Amadori, a segunda maior produtora de aves do país, e a Coop, a maior varejista italiana. Da França vieram representantes da Cooperl, a maior produtora de suínos do país.
Depois de visitar o Paraná, os empresários foram para Porto Alegre e Florianópolis. Do Paraná levaram boa impressão. ‘‘Essas empresas só compram soja do Paraná e de Goiás e seus representantes saíram satisfeitos das reuniões no Paranᒒ, contou a assessora.
O superintendente da Ocepar, José Roberto Ricken, que participou do encontro, acredita que a garantia da rastreabilidade que o Paraná está disposto a oferecer é suficiente para manter as relações comerciais entre o Paraná e o mercado europeu. ‘‘Temos que estar preparados para produzir transgênicos e não transgênicos. Quem vai definir a nossa opção, depois que a questão legal estiver resolvida, é o mercado’’, defende.

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