Europeus têm proposta para Mercosul
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segunda-feira, 25 de junho de 2001
Agência EstadoDe Genebra 
A União Européia (UE) já tem uma proposta concreta para a criação de uma zona de livre comércio com o Mercosul. Já finalizamos os debates na Europa e chegamos a um documento que resume nossa proposta, afirmou o chefe das negociações comerciais da UE, Hervé Jouanjean. De acordo com o embaixador, até mesmo a liberalização do setor agrícola está incluída no documento.
Hoje o secretário-geral do Itamaraty, Luis Felipe Seixas Correa, e o embaixador especial do Brasil no Mercosul, José Botafogo Gonçalves, vão se reunir com os representantes do comércio europeu, em Luxemburgo, para debater as relações entre os dois blocos. Tudo indica, porém, que os europeus ainda não divulgarão suas propostas ao Mercosul.
A estratégia é forçar os diplomatas sul-americanos a também apresentarem um documento. Nós já estamos prontos. A questão agora é saber se o Mercosul está, disse Jouanjean. Na segunda, dia 2, as duas delegações se encontram em Montevidéu para uma rodada de negociações.
Com a informação do diplomata europeu, a previsão agora é de que a UE desembarque na capital uruguaia com a proposta de liberalização comercial em mãos. Além de agricultura, o documento deve incluir barreiras não-tarifárias e tarifas para o comércio de automóveis.
Desde a última reunião entre Mercosul e UE os europeus se queixam de os negociadores sul-americanos não terem se preparado para o diálogo com a UE. Mas Seixas Correa garante: Tendo sido superada as incertezas sobre o Mercosul, vamos reafirmar nosso compromisso com a UE.
De fato, de acordo com a declaração feita pelos quatro países em Assunção na semana passada, a prioridade do Mercosul é acelerar as negociações com os europeus. Diante de desafios externos, o Mercosul se une, afirmou o secretário-geral do Itamaraty.
Outro objetivo da reunião de hoje será começar a definir a 2ª Cimeira entre América Latina e UE, que ocorre em Madri no ano que vem. Na primeira vez que os dois continentes se reuniram, em 1999, no Rio de Janeiro, ficou clara a vontade política dos dois blocos em negociar um acordo.
Dois anos depois, a falta dele começa a preocupar. Os europeus não querem ver o Mercosul passar definitivamente para a esfera de influência exclusiva dos Estados Unidos, em razão da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Ontem o secretário-geral do Itamaraty, Luis Felipe Seixas Correa, pediu que uma nova rodada de negociações multilaterais inclua temas que possam reduzir o atual déficit de desenvolvimento nas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O comércio não pode ser um fim em si mesmo, mas um fator de desenvolvimento, afirmou Seixas Correa.


