Europeus questionam normas de leilão
Além da Fazenda Cachoeira, a missão européia também visitou o Parque de Exposições Governador Ney Braga, em Londrina, que é a sede da Sociedade Rural do Paraná. Eles se reuniram com diretores da entidade e questionaram os procedimentos adotados na realização do Leilão 10 Marcas, realizado no dia 4 de outubro, e que comercializou animais trazidos de Eldorado (MS), onde surgiram os primeiros focos da doença. A principal pergunta, na avaliação do presidente Edson Neme Ruiz foi se a entidade tinha conhecimento da suspeita de aftosa no MS quando o leilão foi realizado.
Segundo ele, o Paraná não havia sido comunicado pelo Ministério da Agricultura da suspeita da doença naquele Estado e que a informação teria sido repassada somente à Organização Internacional de Sa© úde Animal (OIE). ''Se tivéssemos conhecimento antes, teríamos impedido o leilão ou segurado os animais que vieram do Mato Grosso do Sul'', afirmou. Neme acrescentou que o Paraná só foi avisado da ocorrência da doença no Estado vizinho quando o primeiro foco foi confirmado oficialmente, no dia 10 de outubro.
O presidente da Rural ainda afirmou que o proprietário dos animais, José Moacir Turquino, diz que não sabia da investigação da doença no MS e que os últimos animais comercializados no leilão foram trazidos daquele Estado nos dias 23 e 24 de setembro. Ele acrescentou que os europeus demonstraram preocupação quanto à rastreabilidade e a certificação dos bovinos, programa ainda falho no País.
''Na verdade, no fundo a rastreabilidade não pegou no Brasil porque o produtor não é beneficiado em nada e a forma de regulamentação da lei não foi adequada. O manejo brasileiro é feito de forma diferente e não dava para cumprir à risca'', comentou Neme. Segundo Felisberto Baptista, diretor de Defesa Agropecuária da Seab, os europeus queriam entender a dinâmica do Leilão 10 Marcas, que teria ''trazido'' à aftosa ao Paraná para tirar suas conclusões.
Ele acrescentou que a secretaria não quer mais discutir se há ou não foco de aftosa no Estado, mas ''trabalhar para liberar as áreas interditadas e provar que não há atividade viral'' no Estado para promover a abertura do mercado internacional mais rapidamente, depois de respeitadas as normas internacionais. (F.M.)





