Curitiba - Representantes de 35 regiões da Europa que declararam área livre de produtos transgênicos estão no Paraná interessados na compra de soja convencional da agricultura familiar. Durante três dias os europeus vão conhecer o sistema de produção da soja convencional na região Sudoeste do Estado e pretendem acertar detalhes para a compra de 60 mil toneladas de soja.
Essas regiões se uniram na elaboração de um documento - a Carta de Florenza -na qual assumem o compromisso de tornar seus territórios livres de produtos transgênicos. Esse compromisso que iniciou com a produção local agora está se estendendo para a comercialização. O volume de soja negociado é suficiente para lotar um navio, cujo embarque está previsto para o início da safra em 2006, informou ontem o coordenador da Fetraf-Sul no Paraná, Marcos Rochinski.
A comitiva veio ao Paraná porque é o único estado brasileiro declarado livre de transgênicos e também porque mantém uma severa fiscalização do escoamento de soja no Porto de Paranaguá, disse Rochinski. Além disso, o Estado se destaca pela predominância da agricultura familiar nos estabelecimentos rurais.
Rochinski lembrou que os europeus querem comprar a soja convencional principalmente do Sudoeste, onde a lavoura é praticada num sistema de diversificação da propriedade. Na região mais de 80% das propriedades são de agricultores familiares que têm preocupação com práticas de preservação do meio ambiente, reforçou. ''Esse sistema de produção confere mais credibilidade à produção'', acrescentou.
De acordo com o coordenador-geral da Fetraf-Sul, Altemir Tortelli, que esteve na Bélgica no mês passado e acertou detalhes com a comitiva, ''trata-se de um momento fundamental para a agricultura familiar, que comprova a viabilidade comercial da soja convencional, numa produção que se caracteriza pelo respeito ao meio ambiente e o trabalhador, o agricultor familiar''.
Para a Fetraf-Sul, desenvolver um projeto de comercialização de soja não transgênica não significa apenas um negócio, mas a possibilidade concreta de resistência ao avanço tecnológico dos transgênicos e suas práticas de exclusão.

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