Brasília - Os europeus aceitaram roteiro proposto pelos técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e deverão avaliar, a partir de hoje, a condição dos rebanhos e a inspeção sanitária desenvolvida nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. A ordem dos estados não representa o cronograma das visitas. Fonte do ministério disse que os europeus estarão divididos em três equipes e que a proposta inicial é que uma fique responsável pelas avaliações relativas à saúde animal e as outras duas, pela inspeção sanitária. ''Mas as funções podem se sobrepor'', esclareceu um técnico.
O grupo ficará no Brasil até o dia 19 de novembro e não até 14 de novembro, como informou hoje fonte do governo. A reunião final deve acontecer em Brasília, mas um relatório com o resultado das auditorias só começará a ser elaborado quando os europeus voltarem para Bruxelas. O relatório deve ficar pronto num prazo de 45 dias. Em reunião realizada ontem, em Brasília, os europeus fizeram uma única imposição ao governo brasileiro: eles querem visitar frigoríficos que têm autorização para exportação de carne para a União Européia. As empresas que serão inspecionadas serão escolhidas pela secretaria a partir de uma lista elaborada pelos europeus.
Além dos questionamentos previstos - sistema de rastreabilidade, controle da febre aftosa e medidas de controle sanitário -, os europeus pediram informações sobre o programa brasileiro de controle de resíduos e sobre o sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro). O Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) foi muito defendido pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em setembro, quando ele esteve na Europa.
O plano prevê o acompanhamento das cadeias produtivas do agronegócio, por meio de um sistema oficial de análises, capaz de identificar não-conformidades e fazer correções necessárias. À nova versão do plano, que entrou em vigor em 2007, foram acrescidos cem novos grupos de medicamentos para análise.
O Brasil tem muito interesse na visita dos europeus. A UE é o principal mercado para a carne brasileira. Em 2006, o País exportou 224 mil toneladas de produto in natura para o bloco, vendas que renderam US$ 1 bilhão e, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o mercado europeu respondeu por 33% da receita de exportações brasileiras desse tipo de carne. Desde 2005, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná não podem vender carne para o bloco. Focos de febre aftosa tiraram os dois Estados desse mercado. São Paulo foi suspenso devido à proximidade com Mato Grosso do Sul.

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