Londres - A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre os juros nesta semana está dividindo os analistas europeus. Alguns acreditam que a taxa Selic será elevada para conter o crescimento das expectativas inflacionárias de 2003, evitando assim o que eles consideram um arranhão na credibilidade da política monetária. Outros apostam na manutenção dos juros em 21% ao ano, pois entendem que o juro está muito elevado e a recuperação do câmbio poderá ser retomada após os swaps dos títulos cambiais desta semana.
O economista-chefe para mercados emergentes do banco ING Barings, Philip Poole, prevê que o Copom irá manter inalterado os juros. ''Já tivemos uma alta significativa no mês passado e, desde então, o real apresentou uma boa recuperação'', disse. ''Não vemos uma forte justificativa para um aumento dos juros nesse momento e faltam menos de 45 dias para a posse da futura administração.'' Segundo ele, caso o futuro governo ''faça as indicações certas para a equipe econômica e continue emitindo os sinais corretos, o real poderá apresentar algum avanço, diminuindo a pressão sobre os preços''.
Também o analista-chefe do fundo de investimentos Ashmore Investment Management, Jerome Booth, aposta na manutenção dos juros em 21% ao ano. ''O aumento dos juros em outubro foi provocado pelos aumentos dos preços desde então, apesar das expectativas inflacionárias terem piorado, o câmbio apresentou uma recuperação e poderá melhorar ainda mais'', disse. ''Eu não vejo necessidade de aumento nesse momento, a economia já está desaquecida'', ponderou Booth.
Já o chefe de pesquisa do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein, Neil Dougall, acredita que o Copom poderá anunciar um aumento de 100 pontos-base nesta semana. ''As expectativas inflacionárias para 2003 estão muito acima das metas'', disse. ''Nesse clima de incerteza, acreditamos que BC deverá enviar neste momento uma mensagem clara a fim de conter um aumento ainda maior dessas expectativas, tranquilizando o mercado.''

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