Londres O aumento de três pontos porcentuais na taxas de juros anunciado anteontem pelo Copom foi recebido com grande cautela entre analistas europeus. Segundo eles, a elevação da Selic para 25% ao ano era um remédio necessário para conter a alta inflacionária, mas terá reflexos negativos no crescimento econômico e poderá renovar as preocupações com a sustentabilidade da dívida pública já no início de 2003.
O chefe de Pesquisa para Mercados Emergentes do banco ING Barings, Philip Poole, disse que o aperto monetário pode ser visto de duas maneiras. ''Por um lado, é muito positivo, pois contém as expectativas inflacionárias'', disse à Agência Estado. ''Por outro lado, pode criar maior preocupação, pois essa alta pode não ser a última necessária para realmente conter a escalada dos preços.''
O economista observou que, desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o Copom elevou em quatro pontos porcentuais a taxa Selic. ''E, mesmo com o recuo do dólar nos últimos dias, o real continua ainda fraco.''
Poole afirmou que a ''lua-de-mel'' do futuro governo petista com os mercados está vivendo os seus últimos dias e já no início de 2003 as preocupações dos investidores deverão voltar, concentrando-se principalmente na dívida pública. ''É correto afirmar que o aumento da inflação terá um impacto positivo na carga da dívida, mas acho que isso está sendo exagerado'', disse. ''O fato é que, com a atual taxa de câmbio e nível de juros, que freia o crescimento, o gerenciamento da dívida ainda é um assunto em questão e deverá emergir já no início do próximo ano.''

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