A União Européia (UE) está levando esta semana para Montevidéu, onde se reúnem altos membros da diplomacia do européia e do Mercosul, uma proposta muito mais ambiciosa do que aquela que podem apresentar o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Mas os europeus lamentam a displicência com a qual está sendo tratada a reunião desta semana, a primeira e a mais importante desde que a Comissão Européia, órgão máximo executivo da UE, recebeu o mandato negociador – autoridade para negociar questões comerciais, tanto em termos de calendário e cronogramas como de abrangência, uma espécie de ‘‘fast track’’ europeu, guardadas as devidas proporções.
‘‘Embora pretenda excluir alguns produtos, como açúcar, por exemplo, a proposta européia é significativamente importante para o avanço e a aceleração das negociações entre os dois blocos’’, reconheceu uma alta fonte do governo brasileiro em entrevista à Agência Estado. A fonte brasileira também lamentou que o Mercosul – sob a liderança do Brasil – não esteja sinalizando com algo mais positivo para avançar nesse início de negociações. Segundo esse funcionário, o acordo de uma zona de livre comércio entre os 15 países europeus e os quatro do Mercosul tem hoje a possibilidade de avançar muito mais rápido do que o futuro acordo nos mesmos moldes no âmbito da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Pelo lado europeu, a sinalização parece estar muito clara, reforçada ainda com a visita de Pascal Lamy, comissário europeu para Comércio Exterior da União Européia (o equivalente ao USTR norte-americano), ao Brasil entre os dias 9 e 11 deste mês, período em que manterá encontros com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com os ministros Celso Lafer (Relações Exteriores), Pratini de Moraes (Agricultura) e José Serra (Saúde). ‘‘Estamos dispostos a sinalizar que pretendemos avançar rapidamente nessas negociações’’, disse uma fonte diplomática européia.
Até sexta-feira, a União Européia vai apresentar, por exemplo, o esboço de um ajuste tarifário que os europeus pretendem para a futura área de livre comércio com o Mercosul. ‘‘Se, de fato, a União Européia apresentar propostas sobre temas que se referem a acesso aos mercados, mesmo excluindo alguns itens, acredito que será suficientemente importante para mobilizar as autoridades do Mercosul responsáveis pelas negociações comercias’’, alertou o funcionário do governo brasileiro. ‘‘Só assim poderemos atingir os objetivos que já estão em cima da mesa.’’
A presença de Gui Legreas, diretor geral de Relações Exteriores da UE, na quinta e sexta-feiras em Montevidéu, e a de Lamy na próxima semana em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília já são fatos importante neste início das negociações, de acordo com a delegação da Comissão Européia em Brasília. Legreas desembarcará em Montevidéu com uma proposta que inclui algumas exceções (exclusões de setores mais sensíveis, como açúcar, por exemplo) embaixo do braço.

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