Paris A missão a ser empreendida no Brasil, a partir da próxima semana, por técnicos dos setores sanitário e veterinário da União Européia (UE) constituirá o primeiro passo para a solução do contencioso entre Bruxelas e Brasília sobre as exportações de frango brasileiro para o mercado europeu. Na perspectiva dos entendimentos entre peritos europeus e brasileiros, o Comitê de Controle Sanitário e Fitossanitário da UE teve prorrogado, por tempo ainda não definido, o prazo para apresentar sua decisão técnica a respeito das objeções às chamadas ''barreiras sanitárias'', levantadas pelas autoridades européias contra o produto brasileiro.
A necessidade dessa missão técnica foi abordada pelo comissário do Comércio da UE, Pascal Lamy, em conversa mantida na manhã de ontem em Paris com o ministro Pratini de Moraes, pouco antes da abertura do seminário organizado pela revista The Economist sobre o futuro da política agrícola européia. Em tom cordial, o ministro fez ver ao responsável europeu que o Brasil não aceitava as ações protecionistas contra suas exportações.
Pratini acentuou que a invocação contínua de pretextos para justificar barreiras sanitárias, fiscais e outras poderia representar ''inexorável deterioração nas relações de comércio da União Européia não só com o Brasil, mas com os demais países em desenvolvimento''.
Sobre as perícias sanitárias que os técnicos da União Européia farão no Brasil, Pratini se declarou ''absolutamente tranquilo'': ''Eles terão acesso a todas as informações, a todos lugares de criação e tratamento de frango para o mercado''. Por sua vez, tentando dirimir a suspeita brasileira relativa ao ''protecionismo sanitário'', Pascal Lamy depois de explicar que ''a UE se dotou de normas para proteger a saúde do consumidor europeu e não pode, pois, abolir tal ou tal princípio em função das conveniências do mercado'' ponderou: ''É preciso agora que os exportadores brasileiros se ajustem a essas normas. Normas que estão rigorosamente dentro dos padrões internacionais. Meu colega, o comissário europeu para as questões sanitárias, poderá oferecer todos os esclarecimentos a propósito.''
No final do encontro, Lamy admitiu que a conversa com o ministro brasileiro vai acelerar ''o consenso sobre a necessidade de uma colaboração técnica no domínio sanitário e fitossanitário mais estreita e intensa entre o Brasil e a União Européia''.

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