Genebra - A União Européia decidiu suspender ontem, por tempo indeterminado, toda a importação de carne bovina brasileira. A decisão foi tomada depois de uma disputa em relação ao número de fazendas que o Brasil teria direito de certificar. Os europeus indicaram que poderiam aceitar a carne de 300 propriedades, entretanto o País apresentou uma lista com 2.861 propriedades.
A Europa enviará uma missão veterinária no dia 25 de fevereiro ao Brasil, para novas vistorias. Até a conclusão do relatório sobre estas vistorias nenhuma carne bovina brasileira poderá entrar no mercado europeu. O Itamaraty já prevê a interrupção das exportações brasileiras por cerca de dois meses, o que causará grandes prejuízos ao País.
O secretário de Defesa, Inácio Kroetz, do Ministério da Agricultura, com representantes da cadeia produtiva da carne bovina, em Brasília se reuniram ontem à tarde. Também participou o diretor do Departamento de Economia, Carlos Cozender, do Itamaraty, que não quis dar detalhes sobre o motivo de sua presença no Ministério da Agricultura.
De acordo com o superintendente-executivo, Luiz Becker Karst, da Secretaria de Agricultura de Goiás, Cozender foi chamado a participar das discussões para tentar definir uma estratégia diplomática em relação ao embargo.
O superintendente-executivo, Luiz Becker Karst, da Secretaria de Agricultura de Goiás, Luiz Becker Karst, fez duras críticas à posição dos europeus e também com relação ao governo brasileiro sobre a questão. ''É uma desmoralização. Mostra que o Brasil não deixou de ser uma colônia de exploração dos europeus''. ''Essa questão é política, de soberania nacional, e não tem nada a ver com a qualidade da carne brasileira'', disse.
Ainda de acordo com ele, o clima no encontro era de indignação, já que o governo delegou aos Estados o trabalho de auditoria das propriedades rurais, que foram depois desqualificadas pela UE.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, continuava em cerimônia oficial de recepção ao presidente do Timor Leste, José Ramos Horta, no Palácio do Planalto. De acordo com a assessoria de Stephanes, não é possível afirmar se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já conversou com o ministro sobre o embargo europeu.
O secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio, defendeu que o Brasil faça uma representação formal junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar o embargo da UE à carne bovina nacional. ''Ficou claro que a decisão é política e não técnica e, se o Brasil confia na sua sanidade, realmente o Itamaraty tem de endurecer as negociações'', disse Sampaio, por telefone.
O secretário voltou a criticar o processo de rastreabilidade exigido pela UE para importar a carne brasileira. ''A UE define o que quer, negocia com o Ministério da Agricultura, que não produz boi, e os produtores têm de se adequar às exigências.''
Sampaio é pecuarista em Mato Grosso e teve uma das propriedades da família auditada pelo governo brasileira para ser capacidade para exportar à UE. No entanto, de acordo com ele, por ter número de animais diferente do registrado no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), a propriedade não foi considerada dentro das regras.

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