Europa quer comprar não-transgênicos
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Vânia Casado 
Representantes das dez maiores redes de supermercados da União Européia, liderados pelo Sainsburys Supermarkets Ltd, da Inglaterra, estiveram ontem, no Paraná manifestando a preocupação com a possibilidade de crescimento da produção de alimentos trangênicos (modificados geneticamente). Eles estão visitando vários Estados brasileiros para sensibilizar produtores, indústrias e governo sobre a importância da manutenção da produção de alimentos não-transgênicos para atender a um importante nicho de mercado que está crescendo a cada ano na Europa.
Os supermercadistas ingleses foram recepcionados pelos secretários da Agricultura, Antônio Poloni, e da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra. Eles ficaram satisfeitos ao serem informados que o governo do Paraná defende a manutenção de espaço para produção de alimentos não-transgênicos, embora não tenha posição radical contra a evolução da biotecnologia na agricultura. O gerente de segurança alimentar e desenvolvimento tecnológico, Malcon C.Kane, disse que os empresários europeus estão preocupados com a perda de mercado em função do elevado número de consumidores que rejeitam os alimentos geneticamente modificados.
Do encontro, saiu uma carta de intenções, que prevê um acordo de cooperação para a capacitação de técnicos em certificação de alimentos não-transgênicos, na Europa. Os secretários Sciarra e Poloni informaram à missão de supermercadistas, que o Paraná irá manter a produção de alimentos não-transgênicos. Além disso, será dada a garantia de credibilidade da produção paranaense. Para isso o Estado está se equipando para oferecer um trabalho de certificação, destacou Poloni.
O diretor-executivo da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken, disse que as cooperativas também são favoráveis à manutenção de áreas de produção de alimentos não-transgênicos. A Ocepar acredita que haverá mercado para os dois tipos de produtos. A longo prazo, haverá uma valorização da produção tradicional e redução de custos da produção de alimentos transgênicos, observou. A Ocepar considera que haverá espaço para os dois produtos e defendeu que o alimento não-transgênico deve ter certificação na origem.


