Bruxelas - O Brasil ocupa o décimo lugar no ranking mundial dos exportadores de aço e, por isso, deve deixar de lado sua posição de observador e assumir o papel de importante player global do setor siderúrgico na próxima reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que será realizada de a quarta a quinta-feira, em Paris, para discutir a redução da capacidade mundial do setor. A opinião é do secretário-geral da Confederação Européia de Ferro e Aço (Eurofer), Ian Christmas, que não isenta nenhum país da responsabilidade de participação no processo, segundo ele, ''de reorganização do setor a longo prazo''.
O Brasil tem acesso, segundo Christmas, a alta qualidade de ferro com um custo baixo e isso lhe dá uma posição privilegiada, apesar da necessidade de importar o carvão mineral, importante na cadeia de produção. O mesmo sistema criado pelas siderúrgicas brasileiras para exportar o minério de ferro traz para dentro do País o carvão. ''Tubarão, acredito, é uma das siderúrgicas com o menor custo mundial, mas Usiminas e CSN têm boa classificação global'', diz Christmas à Agência Estado, na sede da Eurofer em Bruxelas, ressaltando que o setor brasileiro passou por reformas importantes nos últimos anos, ''além de ser rentável''.
Mesmo assim, acredita Christmas, nenhum parceiro comercial estará livre de repensar a longo prazo a organização do setor, inclusive o Brasil. Segundo ele, uma das razões dos governos serem sensíveis a esse processo é porque ficou estabelecido desde o começo das negociações, há dois anos, que não se discutiria diretamente, no âmbito da OCDE, quais os países apresentam atualmente excesso de capacidade e quais não têm. O objetivo das discussões, segundo Christmas, é que, ao final, cada empresa faça sua própria escolha.
''O mercado não é dividido igualitariamente entre os bons produtores mundiais e aqueles sem esperança. Por isso, o problema é de todos'', afirma Christmas. Ele reconhece, entretanto, que a discussão do excedente de produção está mais focada nos países do Leste Europeu, pouco competitivos. Rússia e Ucrânia são dois exemplos clássicos. Mas não escapam as siderúrgicas norte-americanas e até as japonesas, que contam com um parque industrial extremamente moderno, mas com produtos cada vez menos competitivos.
A produção mundial de aço hoje está em torno de 900 milhões de toneladas e a expectativa da Eurofer é reduzir a produção em cerca de 120 milhões de toneladas.
A Eurofer acredita que o Brasil está ansioso com o processo porque o País é um forte exportador e, por isso, já declarou que não cortará nada dos 30 milhões de toneladas de produção anual. Muitas empresas norte-americanas, que compram o produto semi-acabado do Brasil, fecharam seus negócios nos Estados Unidos e a perspectiva, segundo Christmas, é de que o mesmo aconteça na Europa, que garantirá o processo final de acabamento em sua fatia no mercado global.

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