Londres - O euro ultrapassou ontem o dólar, a primeira vez desde 24 de fevereiro de 2000. Agora, com 1 euro pode-se comprar mais de US$ 1,00. Na máxima de ontem, a moeda única européia foi negociada a US$ 1,0082. No final do dia, ela recuou e ficou por volta do US$ 1,0034. Desde janeiro, o euro já se valorizou quase 11% diante do dólar, e registra uma alta de quase 17% desde a sua cotação mínima, em outubro de 2000, quando foi cotado a US$ 0,8225.
Os analistas concordam que não é o euro que está forte, e sim o dólar que está fraco. ''Trata-se mais de uma história negativa do dólar do que uma positiva do euro'', disse o economista Michael Schubert, do Commerzbank. Basicamente, o dólar caiu porque os investidores não têm certeza sobre a força da recuperação econômica dos Estados Unidos.
Segundo especialistas, foi rompida uma importante barreira psicológica, mas ainda é cedo para se saber se o nível será sustentável. O analista Neil Mackinnon, do ECU Group, acredita que a tendência de desvalorização do dólar deve continuar por algum tempo e não descarta até a possibilidade de as autoridades monetárias dos países ricos se verem obrigadas a promover uma intervenção coordenada nos mercados de câmbio para atenuar a volatilidade.
Param Mackinnon, a desvalorização do dólar reflete a queda de confiança dos investidores na economia americana, com uma fuga de ativos daquele país, principalmente dos mercados acionários. Além disso, os EUA acumulam um grande déficit de conta corrente e seguem também rumo ao déficit orçamentário. ''Esse déficit duplo, o da conta corrente e o orçamentário, põe uma enorme pressão sobre a moeda americana'', disse.

mockup