Euro estréia melhor cotado que o dólar
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terça-feira, 05 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O euro foi recebido com discreta euforia nos mercados financeiros internacionais, no seu primeiro dia útil. A transição para a nova divisa européia, que passou a existir de fato e de direito no dia 1º de janeiro, ocorreu sem problemas. O euro valorizou-se em relação ao dólar e à libra esterlina, enquanto as principais bolsas de valores européias subiram vários pontos percentuais. A exceção foi a Bolsa de Londres, que mostrou o desagrado do mercado à posição do governo britânico, que optou por não adotar a moeda única desde o primeiro momento.
No fim do dia, em Nova York, o euro foi cotado a US$ 1,1816, alta de 1,27% ante a taxa inicial de referência de US$ 1,16675, fixada pelos ministros da União Européia (UE) no dia 31 de dezembro. O dólar norte-americano, porém, caiu. A moeda dos Estados Unidos recuou para 111,57 ienes, seu nível mais baixo desde 12 de junho.
A reação das bolsas européias ficou perto da euforia. Em Frankfurt, o índice Dax de 30 ações fechou o dia com alta de 5%, no seu maior nível em quatro meses. As bolsas subiram também em Paris (5,2%), Milão (5,92%) e Amsterdã (3,82%). Em Londres, no entanto, o índice FT de 100 ações recuou 0,05%.
A valorização do iene em relação ao dólar afetou drasticamente as bolsas asiáticas. Um iene mais forte diminui a competitividade das empresas da região e ameaça reduzir as muito necessárias receitas de exportação. Em Tóquio, o índice Nikkei de 225 ações caiu 3,08% e o índice Hang Seng da Bolsa de Hong Kong fechou em -2,38%.
Segundo analistas, os investidores ainda vão levar alguns dias para transformar US$ 10 trilhões em ações e bônus denominados nas 11 moedas européias, em papéis denominados em euros.
Os bancos centrais dos 11 países da Europa que aderiram ao euro - Alemanha, França, Itália, Portugal, Espanha, Irlanda, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Finlândia e Áustria - têm uma quantidade ainda não conhecida, mas considerável, de ativos que têm de ser convertidos à nova moeda.
A transição não trouxe problemas operacionais. Um autêntico exército, estimado em 100 mil profissionais financeiros, trabalhou ininterruptamente nos últimos três dias para adaptar programas de computador à nova moeda. Até o fim do dia, tudo havia transcorrido bem.
Os analistas estão antevendo a criação de um amplo e integrado mercado para emissões de bônus e ações. A taxa de juros dos países da Euroland, 3,0% ao ano, deve estimular a captação de recursos. Nos Estados Unidos, os juros dos papéis referenciais do Tesouro norte-americano estão em torno de 5%.
Apesar de a nova moeda única européia não ter como objetivo ameaçar a hegemonia do dólar como moeda de referência no mercado internacional, analistas acreditam que a vinda do euro marca o início de uma perda de importância da moeda norte-americana.
Apesar da euroforia, analistas emitem sinais de advertência. Os problemas técnicos e operacionais foram superados, mas ainda é necessário ver se a Europa vai resolver problemas fundamentais como o elevado desemprego num ambiente de baixa inflação e sem crescimento econômico, disse Alison Cottrel, do banco de investimentos PaineWebber, em Londres.
A única vítima registrada do euro foi o ministro das Finanças holandês, Gerrit Zalm. Ao participar de solenidade na Bolsa de Amsterdã, onde comemoraria o início das negociações com ações denominadas em euro, Zalm foi atingido por tortas, lançadas por manifestantes antieuro.


