A primeira semana do euro trouxe um alento para os exportadores brasileiros. Se a moeda da Europa unificada se fortalecer em relação ao dólar, como previam analistas no começo da semana passada, boas perspectivas comerciais podem se abrir para o Brasil.
O euro não deve provocar nenhum grande impacto imediato sobre a economia brasileira, nem oferecerá uma solução para a falta de competitividade dos produtos nacionais no exterior. A principal vantagem, por enquanto, é que a moeda européia está mais forte em relação ao real, o que torna as exportações brasileiras mais baratas para os europeus.
Com euro no bolso, os exportadores brasileiros poderão receber mais dólares pelo mesmo produto, uma vez que a cotação é superior à da moeda norte-americana - na sexta-feira, o euro valia US$ 1,15. Cada ponto percentual de valorização do euro em relação ao dólar, significará, a partir de agora, um ponto de ganho para o exportador brasileiro. Isso ocorre porque o real está atrelado ao dólar.
‘‘Para os exportadores é uma boa notícia, mas daí a dizer que melhora a competitividade do comércio brasileiro vai uma grande distância’’, pondera Mário Carvalho, da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior).
O cenário mais animador já começou a se esboçar, na verdade, no final do ano passado, quando as moedas européias tiveram ganhos em relação ao dólar. A cotação do euro não foi uma surpresa, pois já podia ser conhecida pelo Ecu, usada na fase de transição.
O fortalecimento das divisas do continente nos últimos meses de 1998 variou entre 8% e 12%, calcula Marcus Vinícius Pratini de Moraes, presidente da AEB (Associação Brasileira de Comércio Exterior). ‘‘Isso ajudou a compensar em parte as perdas que tivemos com a queda dos preços das matérias-primas no mercado internacional’’, afirma Pratini de Moraes. O preço do açúcar, por exemplo, caiu 38% e é o mais baixo em uma década. Café, feijão e soja sofreram quedas de cerca de 20% cada. O preço dos metais recuou 45%.
A Europa unificada é um importante parceiro comercial brasileiro. De janeiro a novembro de 98, o Brasil exportou cerca de US$ 12 bilhões para os 11 países que adotaram o euro e importou aproximadamente US$ 11 bilhões. A região responde por mais de 25% das negociações externas do País.
Os exportadores brasileiros ainda não vão ganhar mais dinheiro em cada transação porque a maior parte dos negócios é acertada e feita em dólar. Mas isso tende a mudar à medida que o euro se firmar como uma opção à moeda norte-americana.
‘‘A maior parte das exportações é feita em dólar, por isso o exportador não terá ganhos imediatos’’, diz Dalton Gardiman, economista-chefe do Deutsche Bank no Brasil. ‘‘É difícil saber quando isso vai mudar, mas, em algum momento, as operações serão fechadas em euro, o que deverá beneficiar os exportadores brasileiros.’’
Luiz Fernando Furlan, presidente do Conselho de Administração da Sadia e diretor de comércio exterior da Fiesp, concorda que haverá uma tendência gradual, mas consistente, de usar o euro, o que deve diminuir o risco de oscilações nas taxas de câmbio.
A estabilidade da moeda européia deve diminuir, portanto, a necessidade de investir em um fundo de hedge para proteger-se da variação cambial. As variações na cotação do iene no ano passado fizeram com que as exportações da Sadia se tornassem 30% mais caras para o consumidor japonês. Como resultado, as vendas da empresa caíram 40% naquele mercado. A expectativa de queda no crescimento da economia européia este ano pode significar, no entanto, uma redução das importações feitas pelo continente, ressalva Pratini de Moraes. Analistas internacionais advertem também para os riscos de os países adotarem medidas protecionistas, em meio a um cenário de recessão mundial em 99.

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