São paulo - A euforia com a reação da economia brasileira ainda não contagiou o setor supermercadista, cujo faturamento real (descontada a inflação) aumentou 0,1% no primeiro semestre ante igual período de 2003, segundo divulgou ontem a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A entidade manteve a previsão de um crescimento de 2% em 2004. A reação nas vendas, segundo a associação, começou no segundo trimestre, e teve o seu pico em junho, que cresceu 5,5% em relação ao mesmo mês do ano passado.
''(O aumento de 0,1%) é um número ruim, sobre uma base ruim. Mas consideramos um resultado positivo porque houve recuperação nos últimos meses do semestre'', afirmou João Carlos de Oliveira, presidente da associação supermercadista. Mesmo assim, ele classificou essa recuperação como ''tímida''. ''É uma reação, mas ainda não é uma recuperação que possamos chamar de sustentada'', disse.
O crescimento verificado a partir de abril, segundo Oliveira, se deu principalmente em cima da oferta de crédito na compra de produtos de maior valor agregado, como eletrodomésticos.
''O crescimento físico dos supermercados também contribuiu muito para esse aumento. Apenas em 2003 foram cerca de 13 mil lojas abertas'', afirmou. O presidente da associação também citou como explicação para a reação do segundo trimestre as vendas da Páscoa, ''muito positivas'', e a recuperação do nível de emprego e da renda.
Questionado sobre as declarações do ministro Luiz Fernando Furlan, que na semana passada aconselhou a cadeia supermercadista a se preparar para a reação da demanda interna, Oliveira afirmou que o setor não corre risco de ficar sem estoques. ''Espero que tenhamos esse problema, mas não acredito que haja um crescimento significativo a esse ponto'', afirmou.
O crescimento dos supermercados, segundo analistas, é mais modesto do que o divulgado nas últimas semanas por comércio e alguns setores da indústria porque depende mais das vendas de alimentos - que respondem pela maior participação no faturamento do setor e cujo aumento só acontece com uma reação mais forte na renda e no emprego, o que não ocorreu até agora.

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